quinta-feira, 21 de novembro de 2019
Saúde

Timo, a chave da energia vital

Por Sônia Hirsch* No meio do peito, bem atrás do osso onde a gente toca quando diz Eu, fica uma pequena glândula chamada timo. Seu nome em grego, thymos, significa energia vital. Precisa dizer mais? Precisa, porque o timo continua sendo um ilustre desconhecido. Ele cresce quando estamos contentes, encolhe pela metade quando nos estressamos e mais ainda se adoecemos. Esta característica iludiu durante muito tempo a medicina, que só o conhecia através de autópsias e sempre o encontrava encolhidinho. Supunha-se que  parava de trabalhar na adolescência e atrofiava, tanto que durante décadas os médicos americanos bombardearam timos adultos perfeitamente saudáveis com megadoses de raios-X, achando que seu tamanho “anormal” poderia causar problemas. Mais tarde a ciência demonstrou que, mesmo encolhendo após a infância, o timo continua totalmente ativo: é um dos pilares do sistema imunológico, junto com as glândulas adrenais e a espinha dorsal, e está diretamente ligado aos sentidos, à consciência e à linguagem. Atua como uma central de processamento de dados por onde passam todas as conexões, para fora e para dentro. Se somos invadidos por micróbios ou toxinas, reage produzindo células de defesa na mesma hora. Mas também é muito sensível a imagens, cores, luz, cheiros, sabores, gestos, toques, sons, palavras, pensamentos. Amor e ódio o afetam profundamente. Ideias negativas têm mais poder sobre ele do que vírus ou bactérias: já que não existem em forma concreta, o timo fica tentando reagir e enfraquece, abrindo brechas para sintomas de baixa imunidade como herpes, gripe, contágios e inflamações. Em compensação, ideias positivas conseguem dele uma ativação geral de todos os poderes, lembrando a fé que remove montanhas. Um teste simples pode demonstrar essa conexão. Feche os dedos polegar e indicador na formando um anel, aperte com força e peça para alguém tentar abri-los enquanto você pensa “estou feliz”.…

Candidíase, a praga

Por Sônia Hirsch*   Comecei a pesquisar sobre candidíase ali por 1993, por causa de uma dor debaixo da costela direita que não me deixava {fazer excessos} em paz. Era tomar um vinho, um suco de laranja ou comer amendoins que lá vinha ela. E quando topei com as notícias desse fungo chamado Candida albicans fiquei muito impressionada. Descobri que tinha os sintomas desde a infância (regada a açúcar), sem falar nas inúmeras crises de candidíase vaginal (monília) da adolescência em diante. Em 1995 publiquei um capítulo sobre candidíase no meu livro Só para mulheres. Alguns anos depois, já instalada na vida online, recebia tantos emails a respeito do assunto que resolvi botar o capítulo no site. Triplicaram os emails. Continuei pesquisando e atualizando a informação online. Enquanto isso passei a me cuidar com a mesma orientação. Adotei as cápsulas de lactobacilos acidófilos, o óleo virgem de coco, a redução de carboidratos. Posso dizer que a candidíase está controlada, bem como a hipoglicemia que costuma vir junto, mas percebo muito claramente que ela apenas manifesta uma tendência do organismo para umidade e calor, como se diz em medicina tradicional chinesa, e tendências são para sempre. Descobri que a dorzinha embaixo da costela tinha a ver com amebas. Descobri também que o câncer está quase sempre ligado à presença de fungos, o que piora muito depois da rádio e da quimio, que criam condições ideais para eles; alguns autores defendem que o câncer seria a própria simbiose da célula humana com a do fungo. Sendo que os fungos sempre acompanham as infecções por vermes e protozoários.   *Sonia Hirsch é jornalista, escritora, editora e palestrante.

Almanaque do banheiro: Alô, herpes? Tchau tchau!

Só quem tem herpes sabe o inferninho que é. Tenho de vez em quando e quase sempre consigo localizar a causa. A penúltima foi um vinho que caiu mal no fim de um dia de viagem, o corpo não deu conta. Sorte que estava na casa da minha querida amiga Susana Ayres, terapeuta de múltiplos talentos, que quando soube me deu a dica perfeita: banhar o local com a fumaça da moxa, ou seja, acender o bastão de moxa e deixar a fumaça inundar a região afetada. Moxa é a folha da artemísia pilada até virar uma lãzinha. Pode vir solta ou prensada em forma de pequenos cones ou bastões. O bastão é bem fácil de usar. Basta descascar 1cm da embalagem externa, de papel grosso, atear fogo e aproximá-la delicadamente ao local estratégico, tomando cuidado para não queimar a pele. O nome do processo é moxabustão. Mas vou tratar calor com calor?, me espantei. Em medicina tradicional chinesa geralmente se trata o quente com o neutro ou o fresco, e herpes é um sintoma de calor e umidade. Nesse caso sim, respondeu ela, explicando que era para usar só a fumaça, sem aproximar a brasa. Depois a Denise Moraes, minha querida acupunturista de Itaipava, disse que também para hemorroidas esse banho de fumaça de moxa é um sucesso. Pois foi! Tratei, e na manhã seguinte não tinha mais nada. Até esperei a noite para confirmar, porque às vezes o herpes quer sair de qualquer jeito – você passa algo, ele desaparece dali mas surge em outro lado. Pois este desapareceu de fato. Contei o caso para minha querida médica homeopata, a Vanize Eyer, que também é rápida no gatilho, e ela já foi me dando outra receita: um creminho com florais – Spinifex, Linum, Fringed Violet e Crab Apple.…

Queijetarianos

Por Sonia Hirsch* Adoro Jamie Oliver e seu estilo bagunceiro de cozinhar, cheio de uma energia alegre e inteligente, de quem se dá todo ao que está fazendo mas sabe que a vida não começa nem acaba ali. Gosto de como ele valoriza os vegetais frescos da horta, ensinando tudo o que pode enquanto colhe e prepara, e acho admirável seu empenho em passar ao público o amor pelas ervas dizendo coisas como: “O melhor que você tem a fazer é comer muitas folhinhas verdes, elas estão cheias de nutrientes e dão sabor a tudo”. É um cozinheiro rude e delicado, meio porquinho, que às vezes tempera demais, mas tão carismático que tem uma legião de fãs no mundo inteiro. Muitas vezes me fez companhia durante minha meia hora diária de pedaladas no elíptico. Numa delas Jamie ia cozinhar para sua banda, que é vegetariana, então resolveu fazer canelone, aquela panquequinha de massa de macarrão. Refogou cebola picadinha, alho, espinafre (diferente do nosso), temperou com sal, pimenta e noz-moscada e colocou a mistura no meio dos retângulos de massa pronta. Apresentou ao público inglês a nossa conhecida ricota, que esfarelou por cima do recheio. Mais sal e pimenta, e então uma dose generosa de queijo parmezon ralado. Enrolou os canelones, colocando-os sobre um molho de tomates batidos no processador com manjericão, sal e pimenta, cobriu tudo com mozzarella de búfala e antes de levar ao forno deitou por cima mais uma grossa camada de parmezon ralado, explicando que, “como não há carne para dar sabor, o queijo faz esse serviço.” Aí foi para a sobremesa: morangos enfiados em espetos de alecrim, caramelizados, para servir com creme… de quê? De outro queijo, desta vez mascarpone, batido com açúcar. É como se houvesse uma suposta frustração do paladar vegetariano a ser compensada…

Hospital: um lugar de quebrantamento

Talvez, a maioria dos profissionais de saúde saibam disso: hospital é lugar de quebrantamento e reflexão, especialmente nas unidades fechadas, como os Centro de Terapia intensiva (CTI) ou mesmo as enfermarias de longa duração de internação. Quebrantamento tanto para a equipe de saúde que ali trabalha, como também para os seus usuários. Dentro das quatro paredes de um hospital, vemos cenas surpreendentes, pois ininterruptamente a "atmosfera" hospitalar reinante produz um profundo sentimento de reflexão sobre a vida e a morte, saúde e doença, acolhimento e solidão, amor e abandono, alívio e dor, céu e inferno. Hospital é lugar de quebrantamento, pois suas paredes já ouviram súplicas mais fervorozas e honestas do que se faz em muitos templos religiosos. Já viram e ouviram discursos e despedidas que exaltam os mais nobres sentimentos e as mais virtuosas qualidades do ser humano, contrapondo-se sobremaneira ao embrutecimento emocional que se vê nesse século. Seus corredores transmitem uma mensagem de quebrantamento que reverbera no interior do paciente rumo a sua cirurgia, seja essa eletiva ou de emergência. Seus quartos são verdadeiros SPAs mentais onde seus pacientes exercitam uma autoavaliação digna das melhores técnicas psicoterápicas existentes. Hospital é lugar de quebrantamento porque o orgulhoso se torna humilde, o prepotente pede socorro, o milionário pede ajuda, o intelectual de notório saber que está internado no CTI, por exemplo, se rende aos conselhos e orientações da equipe de saúde. Hospital é lugar de trabalho em equipe. Juntos e misturados em prol da vida. Hospital é lugar de quebrantamento, pois nos faz enxergar nossa pequenez, nossa fragilidade e dependência social. Não há espaço para autossuficiência muito menos arrogância. Por exemplo, numa enfermaria oncológica se vê normalmente tanto na equipe de saúde como em seus pacientes ali internados os mais nobres sentimentos de altruísmo, compaixão e resiliência. Nesses "guetos" de…

O desafio da saúde pública no Brasil: um olhar do profissional de saúde

Ao arrepio da lei acompanhamos obnubilados o cenário dramático do SUS sobretudo no estado do Rio de Janeiro, que ao longo dos últimos anos cultiva uma gestão incompetente e desqualificada numa das áreas mais importantes de qualquer governo: a saúde. Certamente, o clamor dos usuários dos serviços públicos de saúde tem chegado aos céus, sobretudo aqueles que procuram os atendimentos de emergência nas unidades fluminenses, que no momento enfrentam o caos existencial e o trágico descaso com a vida humana, oriundos de um governo que investe na aparência pessoal, todavia se esquecendo da essência republicana que deve prevalecer na administração do orçamento público. Mas, será que esse cenário é recente? Infelizmente, não. O descaso com a saúde em nosso país tem história patológica pregressa já faz alguns anos. Esse câncer já formou metástases e se dissemina velozmente causando sofrimento e angústia sobretudo aos mais necessitados, que não suportam pagar os onerosos planos de saúde das milionárias operadoras de saúde e que também não têm renomados médicos particulares ou hospitais privados de alta complexidade disponíveis para atendê-los. Não há qualquer dúvida que se realizássemos uma diligente anamnese histórica do quadro de saúde em nosso país, iríamos diagnosticar uma síndrome de incompetência com lapsos de lucidez técnica. É notório o amadorismo em certas gestões e paroxisticamente se percebe que as comorbidades associadas são algumas das vezes não muito republicanas. Posto isso, causa-nos náuseas e vômitos quase incoercíveis essa forçada quimioterapia do bom senso que temos que acompanhar, quase que diariamente, ao testemunhar as diversas notícias sobre os casos de corrupção e desvios de verbas públicas, sobretudo em certas Organizações Sociais de Saúde (OSS), modelo de terceirização da gestão pública de saúde. Aliás, essas que na sua gênese no Rio de Janeiro, segundo alguns especialistas, seriam a solução, hoje se tornaram um problema oneroso…