quarta-feira, 26 de junho de 2019
Esportes

Não basta ser pai. Tem de torcer junto.

A campanha é dos anos 1980. Gelol. "Não basta ser pai, tem de participar" era o slogan. Autoexplicativo. Não sonhava ainda ser pai - embora achasse que a gente devesse nascer com filho. Ainda mais os meus. Mas, com os anos, e com o trabalho pesado, embora prazeroso, dentro do impossível, tento ficar o tempo que posso com a família. Com a graça que Deus me deu de, no segundo casamento, ganhar mais três filhotes que vieram com minha mulher. Somos cinco. Meus dois palmeirenses como os avós e como toda a minha família - e a da mãe deles. Ganhei de enteados no novo casamento um são-paulino como o avô - mas tão tricolor quanto Barcelona; um corintiano como o pai mas que é light - ufa; e uma caçulinha linda e palmeirense como a mãe de olhos e coração verde. Dei sorte em tudo. Mas não brinco com ela. Já vi muitos amigos e queridos colegas de ofício perderem os filhos para outros credos e cores. Como todos os domingos e quase todos os jogos estamos em cabines e gramados, mal conseguimos torcer juntos com as crianças em estádios e poltronas por nossos times. Muitas vezes, os filhos de jornalistas esportivos acabam cooptados pelos lados negros (ou tricolores, colorados, celestes, da força) e não torcem pela paixão que quase sempre levou os pais ao jornalismo esportivo. Também por isso, desde sempre, meu filhos vão a jogos, treinos, eventos, o que for do Palmeiras. E, também por isso, apesar da talibancada patrulheira das redes sociais, fui recepcionar Borja em Cumbica, seis da manhã de sábado. Fiz questão de filmar, fotografar e não filtrar a história para que histéricos de todas as cores não usassem como usaram o fato como prova de clubismo, bairrismo, parcialidade, isenção zero, patrulhamento dez, sem…