sábado, 7 de dezembro de 2019

Todo carnaval tem seu fim

Quem sabe, sabe, conhece bem como é gostoso pular o carnaval. Porém, como tudo na vida, exceto a tristeza, a comemoração acaba. Para quem está melancólico sem os blocos, se recuperando daquela ressaquinha de leve ou pensando em como encarar o mundo de novo daqui pra frente, aqui vai uma playlist para alimentar os ouvidos e inaugurar a contagem: já faltam menos de 365 dias para o próximo carnaval - e que a gente consiga se recuperar desse até lá!

CAR(rus)NAVAL(is) – e nada se acabar na quarta-feira

Porque são tantas coisas azuis E há tão grandes promessas de luz Tanto amor para amar de que a gente nem sabe Quem me dera viver pra ver E brincar outros carnavais Com a beleza Dos velhos carnavais Vinícius de Moraes   Morar no Rio de Janeiro traz algumas obrigações subcutâneas que precisamos acolher, escutar, e ter muito discernimento ou muito pouca vontade para conter e saber dizer “não”. Este ano deixei a vibração do carnaval passar lá em baixo na rua enquanto fechei a janela, liguei o ventilador, e coloquei minha playlist na caixinha de som. Desci depois na pracinha vestindo o maiô da natação com uma toalha de banho amarrada na cintura e uma touca transparente. Aquele meio caminho entre estar demasiado opositora e permitir não ser pega pelo tsunami purpurinado que invade as ruas da cidade. Este ano fiquei desenhando sonhos em planilhas cheias de cores e com metas e cronogramas, interrompidas por algumas idas na cozinha. Creme de abóbora com leite de coco e gengibre. Manga batida com canela e hortelã do meu vaso. Mamão maduro com granola caseira. Pão artesanal com o azeite da minha terrinha. Tomatinhos da xêpa com manjericão. Café, muito café, coado e perfumado. Este ano vi filmes da lista de espera, toquei violão, recebi amigas em casa, cochilei de tarde, cantarolei a minha música favorita do carnaval. Lembrei dos ensaios e eu te observando, quanto riso e quanta alegria, mais de mil palhaços no salão. Este ano pulei meu carnaval de dentro. Celebração da primavera que chega lá no norte, nas terras de onde ele vem, da festa de Isis fértil, rainha e deusa da criação, mãe do mundo. Festa de Ápis, o boi branco, junto a ela. Dos barcos e da celebração da abundância que chega, primeira festa dos primeiros raios quentes depois do inverno escasso. Festa da abundância, dessa era dourada infinita, dessa…

Empoderamento na tela grande

No primeiro ano de O Quinze, fugi um pouco das séries e resolvi escrever sobre cinema, uma vez que estamos na maratona pré-Oscar, que este ano acontece no dia 4 de março.  Como gosto sempre de falar mais bem do que mal, costumo postar aqui meus humildes pontos de vista sobre produções que admirei, outros que me arrebataram e ainda os que me chamaram a atenção de alguma forma. Nessa coluna, falo de Pantera Negra e Me chame pelo seu nome. Vamos a eles! Pantera Negra: Um belo gol da Marvel Studios! Que história bacana, bem contada, trazendo à luz um personagem pouco conhecido do cânone dos quadrinhos. No filme, o Pantera Negra foi introduzido em “Capitão América: Guerra Civil”. Já nos quadrinhos, o super-herói foi o primeiro herói negro criado na indústria de HQs dos Estados Unidos. Estreou em 1968 e abriu caminho para o surgimento de outras super-personagens de descendência africana, como Falcão (1969) e Luke Cage (1972), ambos também da Marvel Comics. O mais interessante é que Pantera Negra tem como particularidade ser um negro que já nasceu empoderado: ele é, além de uma super-herói, o Rei T´Challa, regente de uma nação africana hiperavançada social, econômica e tecnologicamente, construída sobre uma fonte de vibranium, um metal alienígena responsável pelos avanços científicos e pelos poderes dos panteras negras. A personagem representava uma crítica ferrenha ao racismo em um período de exacerbação da discriminação extrema nos Estados Unidos, com a luta dos negros por seus direitos civis e a ascensão de líderes como Martin Luther King. E o filme representa muito bem essa essência! É poderoso, majestoso e inspirador. Wakanda certamente é um país onde qualquer um gostaria de viver.  Nele, todos são saudáveis e felizes. E, mesmo em suas disputas e políticas internas, existe a honra, o respeito…

Doces como recompensa: o início dos maus hábitos alimentares

A alimentação da criança é muito desafiadora. Doces são geralmente um dos primeiros recursos que pais e responsáveis usam para recompensar uma criança por uma boa ação, para estimular o consumo de vegetais ou, até, por estarem ausentes durante todo um dia de trabalho. E, é aí que está o grande perigo! Os doces são ricos em calorias de baixa qualidade e pobres em nutrientes, especialmente vitaminas, minerais e fibras. Isso pode ser um fator determinante para o risco do desenvolvimento da obesidade. Entre crianças de 7 a 9 anos de idade é preocupante o aumento da prevalência de sobrepeso e obesidade e a associação destas com complicações no metabolismo e desenvolvimento de doenças cardiovasculares, ortopédicas, psicológicas entre outras. A introdução de alimentos complementares não adequados, como doces, chocolates, sorvetes, tem sido apontada como determinante para o desenvolvimento da obesidade infantil. Vale a pena revermos conceitos da educação alimentar, à medida que a obesidade é uma doença crônica e está crescente entre crianças no mundo todo. No Brasil, dados do IBGE de 2009, mostram que o excesso de peso é encontrado com grande frequência, a partir dos 5 anos de idade em todos os grupos de renda e em todas as regiões brasileiras. Portanto, não ofereça doces como recompensa! Usar guloseimas para estimular as boas ações da criança só atrapalha a formação da relação dela com a comida e os bons hábitos alimentares. Reflita comigo: se, sempre que ela fizer algo de bom, for “presenteada” com um doce ou chocolate, a criança vai achar que esse é o alimento que tem maior valor. Então, que tal buscar outras formas de recompensar as boas ações dos pequenos e a nossa ausência física durante um dia de trabalho? E, assim, moderar o estímulo ao consumo de açúcar e alimentos de baixa qualidade…

O foco está nas eleições

Há um ano nascia O Quinze, parabéns a todos os envolvidos neste projeto! É sempre muito bom ver nascer e prosperar um novo veículo de informação e análise, abrangendo os mais diversos assuntos de importância para todos! Aqui no Rio de Janeiro, também comemoramos o término de mais um Carnaval, mas os bons tempos em que exaltávamos a alegria contagiante e a beleza do povo nas ruas, infelizmente acabaram! Hoje, esperamos apenas que, se possível, diminua um pouco o clima de guerra ocorrido durante a festa, onde observamos tiroteios, assaltos com espancamento e atropelamento, mortes estúpidas, saques em supermercados, arrastões e ausências do Prefeito e Governador na cidade que recebeu cerca de 1,5 milhão de turistas! O carnaval passou, e, como se diz, o ano vai começar, embora a esperança pareça ter sucumbido. Não há cenário otimista na política e, na economia, somente ações pontuais nos trazem algo de bom. O bom desempenho no controle da inflação e redução histórica dos juros indica-nos um bom caminho pela frente, mas esses benefícios ainda não chegaram concretamente e de maneira perceptível para a população, e o enorme problema fiscal, herdado do governo anterior, está longe de ser resolvido, e a melhor perspectiva para que se reverta a situação acena para 2020. O governo insiste no discurso de se levar a reforma da previdência à votação, mas se não há perspectivas para que tal aconteça, ao menos fica um cenário de que há governo atuante, embora já esteja sepulto. Impressiona o contingente de pessoas que são contra a reforma por acharem que ela não é necessária, bem como também os que pensam que é necessária, mas antes tem que se cobrar de devedores e reduzir os gastos abusivos com benesses absurdas para os três poderes da república! Certo, tudo isso, mas a reforma…