sábado, 25 de maio de 2019

Eu sou assim

Para mim, qualquer expressão de arte implica também em responsabilidade. Entreter é uma de suas funções, claro, mas acredito que fazer arte é, acima de tudo, um ato político. Um fazer cidadão. Por meio dela, são despertadas questões e discussões na abordagem de toda sorte de temas que pudermos imaginar: combate à violência, dependência química, cidadania e direitos humanos, proteção de “minorias” discriminadas – implico com o termo minoria. Afinal, os grupos socialmente alvos de preconceito estão longe de ser poucos e pequenos. Nesse mês, tive o prazer de assistir a duas estreias muito bacanas que abordam temas ligados a uma dessas “minorias”: a das pessoas especiais. Uma, “Atypical”, uma série de comédia dramática da Netflix – pródiga em produzir um bom material “dedo na ferida” sobre temas barra pesada como suicídio (“13 Reasons Why”) e racismo (“Cara gente branca”), já escrevi sobre ambos aqui n´O Quinze – sobre um garoto portador de autismo. A outra, “Eu sou assim”, que dá título à coluna dessa semana, série documental que estreou no GNT.   Atypical: a primeira temporada da série conta a história de Sam Gardner, jovem portador de autismo que, aos 18 anos, mostra seus primeiros sinais de independência ao querer namorar, sair e se divertir. Seu desejo de se emancipar causa um choque na família que viveu a vida inteira em função do rapaz. E funciona como o estopim de diversas reações em cadeia que sua decisão provoca. O autismo é uma condição permanente e reúne um grupo de desordens complexas do desenvolvimento do cérebro, caracterizado pela dificuldade na comunicação social e por comportamentos repetitivos, com intensidades diferentes para cada caso. Sam, por exemplo, tem sensibilidade sensorial aguçada, respondendo de forma muito contundente a estímulos visuais e sonoros. Tem dificuldade de entender metáforas e outras figuras de linguagem, tendo…

Vem jogar no Quinze!

Olá, pessoal! Mais uma vez, estou aqui para falar com vocês sobre esporte! Nesse mês, não consigo destacar nada! Nada, mesmo! Por quê? Simplesmente, porque foram tantos momentos lindos e marcantes, tantas coisas bacanas aconteceram, que eu quero apenas fazer um resumão para relembrarmos tudo! Ah, e quero a sua participação! Quem puder, escreve lá no comentário o fato que mais marcou para você!!! 1 - Supercopa da UEFA: Real Madrid venceu o Manchester United por 2 a 1 e foi o campeão pela segunda vez consecutiva da competição! 2 - A ida de Neymar para o PSG! Uma transferência milionária! A mais cara do futebol... Dá uma olhada! - Neymar — Barcelona para o PSG (R$ 821,6 milhões, 2017/2018) - Pogba — Juventus para o Manchester United (R$ 388,6 milhões, 2016/2017) - Bale — Tottenham para o Real Madrid (R$ 373,8 milhões, 2013/2014) 3 - O amistoso lindo entre Barcelona 5x0 Chapecoense e a volta do guerreiro Alan Rushel aos gramados, oito meses após a tragédia com o voo da Chape, em novembro do ano passado. O dinheiro arrecadado ficou para as famílias das vítimas! Ah, e foi a primeira partida do Barça sem Neymar! 4 - Gran Prix 2017, em Nanquim (China): jogaço entre Brasil 3x2 Itália na disputa pelo ouro no vôlei feminino! Jogaço aço aço! De arrepiar! Décima segunda vez que a seleção brasileira feminina de vôlei conquista esse título! 5 - A dupla brasileira Evandro e André conquistou o ouro no Mundial de Vôlei de Praia, em Viena. Eles venceram a dupla austríaca por 2 a 0 e garantiram o título! 6- Retorno rápido de Abel ao Fluminense. O treinador não quis se afastar do time e comandou a equipe no jogo entre Sport 2x2 Fluminense, três dias após a morte do filho João Pedro.…

A nuvem iluminada da Abralic

Depois de uma semana participando do XV Congresso Internacional da Abralic (Associação Brasileira de Literatura Comparada), na UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), no qual apresentei uma comunicação sobre a relação da escrita íntima e a poética de Ana Cristina Cesar, muitas questões permanecem na minha mente tanto sobre literatura quanto sobre o cenário do evento e o espírito do tempo em que vivemos. Há duas semanas estive na FLIP (Feira Literária Internacional de Paraty) e o debate também foi intenso, engajado mas descontraído, em meio à bela paisagem e o casario colonial. No Rio de Janeiro, a tranquilidade é constantemente adiada. Na Abralic, sob o tema geral “Textualidades contemporâneas”, estivemos todos à frente das trincheiras da crise política e econômica brasileira. O desconforto era evidente: como a UERJ vai resistir à sangria econômica que a paralisa com a falta de repasses do governo estadual? Na verdade, com tantos problemas expostos no último ano e agora com a realização da Abralic, penso que a conturbada manutenção da UERJ ganhou projeção internacional e a procura por um modelo de gestão mais eficiente deve ser a preocupação de todos, a começar do Estado que consta em seu nome. Durante esta semana, logo após a Abralic, com a reunião de parlamentares na UERJ, surgiu a proposta de uma PEC que pode garantir a autonomia da universidade, mas ainda há um longo caminho para que isso seja viabilizado. A questão da relação entre a literatura e a crítica não tem nada de novo e foi pano de fundo de tantos outros pontos que surgiram durante o simpósio do qual fiz parte, “Poesia Contemporânea: Crítica e Transdisciplinaridade”, coordenado pelos professores Leonardo Davino (UERJ) e Carlos Augusto Bonifácio Leite (UFRGS). Um dos pontos de debate foi questionar se a poesia é (ou continua a…

1200 primaveras

E quando eu tiver saído Para fora do teu círculo Tempo, Tempo, Tempo, Tempo Não serei nem terás sido Tempo, Tempo, Tempo, Tempo Caetano Veloso, 1979.   Completei ontem 33 primaveras. Acho sempre mais interessante contar os anos como se fosse uma sequência de estações, até porque o calendário que conhecemos, gregoriano, é relativamente novo para a humanidade: contávamos o tempo com base nos ciclos naturais, com pontos marcantes nos equinócios e solstícios, quatro grandes blocos das 4 grandes estações, e 13 luas de 28 dias. O nosso tempo é o tempo da terra. Em grande parte dessas 33 voltas do Sol, acreditei que tínhamos controle sobre o mundo. Que tudo o que queremos poderia ser conseguido, que a humanidade seria super poderosa e capaz de saber mais sobre as coisas todas do mundo. No meio do caminho foi ficando confuso: sabendo tanto e podendo tudo, porque é que as coisas não eram sempre melhores? Em 33 anos entendi que sabemos muito pouco, podemos demais, somos obcecados por controle, exploramos, absorvemos, não regeneramos. Inventamos a sustentabilidade ainda dentro de um olhar que divide as partes e junta em coisas que querem se parecer com seres. Às vezes parece que achamos que a forma de melhorar as coisas é pegar no universo e desmembrar a complexidade. Temos medo do desconhecido e do complexo, aprendemos pouco com o passado, não fazemos planos para além de nós. É interessante, como fazemos de tudo para viver para sempre mas vivemos como se não acreditássemos no que pode vir amanhã, ou no que fica depois que a morte chega: agir indiferente para o que é maior do que nós pode ser um ato de supremacia e poder.   Oliveira 1200 anos. E ainda dá azeitonas. Se cuidarmos dela e lhe dermos carinho, ela vem carregada…

Quem acredita?

Se fizermos uma reflexão sobre a trajetória de nosso país, tipo “deitado no divã e liberando as emoções”, vamos verificar que, essencialmente, pouco se evoluiu desde as Capitanias Hereditárias. Na política, observamos muito bem os feudos e seus herdeiros: os Barbalhos, Calheiros, Maias, Neves, Sarneys, Gomes, Magalhães e outros. Ainda nesta área, verificamos determinados movimentos que poderiam ser denominados de Bolsonarização, Tiriricarização e outros, estes muito beneficiados pela provável aprovação do Distritão (bom para quem é conhecido. Aproveita Globo!). Analisando o caminho de nossa política/economia após a abertura, tivemos inicialmente um Sarney, que concluiu seu mandato se arrastando no nada e numa inflação descontrolada. Este quadro permite o aparecimento de um Messias, outra face de nossa trajetória. Então coloque-se lá um Collor, da Capitania das Alagoas. Não deu certo, claro! Segue, por pouco tempo, o mineiro simplório mas honesto, duas denominações não muito bem aceitas por aqui, mas que decidiu apoiar o Plano Real, formulado por equipe muito competente. Finalmente acontecia algo de bom! O governo de seu sucessor, o Príncipe FHC, foi muito bem, implementou e administrou muito bem as mudanças na economia, adotou políticas consistentes, mas errou na forma como conduziu as necessárias privatizações. O saldo do mandato foi muito bom, até o momento em que a sede pelo poder o fez conquistar um segundo mandato, então tudo se perdeu, prejudicou muito a economia que ajudou a erguer, terminou o seus dias de governo com elevada rejeição. O momento tornava-se propício a um novo Messias, e ele apareceu muito bem lapidado na figura do Lula, o líder das massas, defensor da ética, do trabalhador e da justiça social. A partir deste momento, verifica-se que o discurso populista tem vida própria independente de ideologias. Neste aspecto, o Collor caçador de Marajás pouco diferia do Lula salvador dos pobres. Lula,…