terça-feira, 11 de agosto de 2020

Sobre patinhos feios, canais de TV e bares

Agosto é uma animação só: tem séries novas e novas temporadas estreando por todos os cantos. Mas não vou falar de nenhuma delas aqui. A coluna dessa semana está um pouco magra. Estou aguardando algumas séries, como a primeira temporada de Os Defensores, na Netflix, estrear. Então, não será uma coluna sobre aquelas séries mais aguardadas. Mas vou recomendar aqui algumas que são aqueles patinhos feios, meio óbvias mas que considero bacanas, e uns canais e programas de TV que são bem legais de se assistir quando a gente se livra de uma maratona intensa de trabalho e precisa descansar. Ah, e para encerrar, um bar bacana. A gente também vai para a rua tomar uma cerveja de vez em quando. Os tempos estão pedindo...   Chicago Fire: Olha, norte-americanos têm algumas taras. Quem assiste a séries de TV já sabe – histórias que envolvam bombeiros, policiais, médicos e advogados são garantia praticamente certa de audiência elevada. Que o diga, por exemplo, a série “Lei & Ordem”, que teve 20 temporadas e gerou uns filhotinhos, dentre eles o excelente “Unidade de Vítimas Especiais (SVU)”, que já está em sua 18ª temporada. SVU está no ar no canal Universal (130 da Net), o mesmo da minha dica: “Chicago Fire”, como o nome já sugere, retrata o dia a dia de uma unidade do Corpo de Bombeiros de Chicago. É um mais do mesmo mas não tão do mesmo assim: as histórias se alternam entre o simples e o instigante e sempre há tramas mais longas que se desenvolvem em meio ao apagar de incêndios da rotina do grupo. O elenco é liderado por Jesse Spencer (que fez o médico bonitinho da equipe de “House”), que interpreta o bombeiro boa praça Matthew Casey. A série, que está na quinta temporada, deu origem…

FLIP se renova e promove literatura militante

Em sua 15ª edição anual, a Festa Literária Internacional de Paraty, a FLIP, fez da redução de recursos financeiros e da inclusão social um mote para seus múltiplos encontros, na semana passada. Ao homenagear o escritor carioca Lima Barreto (1881-1922) e levar suas principais mesas de debates para a Igreja da Matriz, no centro da cidade histórica erguida pelo trabalho escravo entre fins do século XVI e XVII (a data não é precisa), o evento se aproximou dos seus habitantes e dos visitantes que lotaram as ruas da cidade, especialmente no final de semana. Sob a curadoria da jornalista e pesquisadora Josélia Aguiar, essa foi a edição da FLIP que teve mais mulheres do que homens entre seus convidados, além de, a partir da origem afrodescendente de Lima Barreto e da desigualdade social, abrir espaço para uma literatura militante, mas também, para usar uma gíria atual, “causar”, chamando atenção para si mesma de uma maneira intransitiva. Penso nesse “causar” também como o movimento que deu voz à causa da igualdade racial e abriu um espaço inesperado para personagens sempre à margem, como a professora Diva Guimarães, 77 anos, que comoveu a plateia ao relatar os ensinamentos racistas que recebia de uma freira do colégio em que estudava. Paradoxalmente, a cada mesa que começava seus trabalhos na FLIP a locução oficial avisava: “O Ministério da Cultura e a Casa Azul apresentam...” No entanto, o patrocínio oficial não constrangeu manifestações contra a dita “tranquilidade institucional” do Brasil, que parece cada dia mais frágil. O Auditório da Praça, expandido para 700 lugares, possibilitava ver por telão e gratuitamente o que se passava no Auditório da Matriz, com ingressos pagos, o que imprimiu um ar bastante democrático para o evento. Em sua sessão de abertura, a antropóloga Lilia Moritz Schwarcz, autora da recém-lançada biografia…

Consciência ecológica e desenvolvimento

Recentemente foi celebrado o Dia de Proteção às Florestas, comemorado anualmente em 17 de julho. O Brasil é conhecido no mundo como o país das florestas. Temos em nosso território brasileiro quase toda a Amazônia, maior floresta tropical do mundo, com a maior reserva genética, além de guardar um quinto da água potável disponível na terra. Calcula-se que sua biodiversidade representa um terço do planeta. Aqui também está a Mata Atlântica, os cerrados, áreas úmidas e ricos ambientes marinhos, entre outros. A preservação destes significa preservar a vida e o nosso futuro. Três grandes eventos sobre o meio ambiente aconteceram no Brasil - Conferência de Estocolmo em 1972; a Rio 92 e a Rio +20, em 2012. Os novos caminhos de desenvolvimento foram apontados por estas conferências, dando continuidade ao primeiro destes eventos. A partir de 1972, as pessoas passaram a saber que havia um limite para o crescimento econômico. Ficou claro que existe um risco real de que os recursos do planeta podem se esgotar e que o consumo ilimitado não pode satisfazer as necessidades humanas. Após a Rio 92, essa posição política ficou ainda mais clara. Passamos a relacionar economia, meio ambiente, desenvolvimento, sustentabilidade, demografia, entre outros temas. Infelizmente, a dificuldade política para se tratar desses assuntos é grande. Esses discursos não dão votos, a não ser de um pequeno grupo de ecologistas: mas quem está desempregado quer emprego; quem está com baixa renda, quer alta renda. O discurso de que não dá para ter automóveis e que eles não levam bem-estar é verdadeiro, mas não é eleitoralmente positivo. O grande desafio da governança internacional é conviver com as realidades nacionais, em que governos não pensam a longo prazo, mas em função das próximas eleições. Mais do que um marco jurídico, precisamos de um marco ético que limite…

Renda Básica ganha grupo de trabalho no Brasil

A primeira reunião do grupo de trabalho que vai estudar as etapas para instituir a Renda Básica de Cidadania no Brasil ocorreu em São Paulo no dia 25 de julho, coordenada por mim em parceria com a Fundação Perseu Abramo. O encontro, que ocorreu na Câmara Municipal de São Paulo, reuniu especialistas de vários locais do Brasil para debater experiências e mostrar trabalhos acadêmicos que serão exibidos na reunião no 17º Congresso Internacional da Basic Income Earth Network (BIEN), que será realizado em Lisboa, Portugal, de 25 a 27 de setembro. Além de mim, os trabalhos terão a coordenação do presidente da Fundação Perseu Abramo, o professor Marcio Pochmann, que foi presidente do Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas). Em sua exposição inaugural no grupo de trabalho, Pochmann fez um resumo das origens da desigualdade econômica brasileira. Ele demonstrou os períodos de estagnação da economia, fruto de, entre outras coisas, várias imperfeições do capitalismo brasileiro, que contribuíram para as distorções graves na distorção da distribuição dos recursos públicos e na perpetuação da pobreza. Pochmann, entusiasta da Renda Básica de Cidadania, diz que a modalidade é uma forma de reparar, em parte, a má distribuição da renda no Brasil, apesar do grande avanço representado pelo Bolsa Família nos governos Lula e Dilma Rousseff. Já a professora Aldaíza Sposati ressaltou em sua fala que é necessária uma mudança de entendimento sobre a importância das políticas de transferência de renda a partir do seu impacto econômico e também social. Para ela, ainda existe preconceito a respeito de programas como o Bolsa Família, muita gente não entende que a renda mínima é um direito de todos, e não apenas um mero benefício. O economista Ladislau Dowbor, por sua vez, diz que a democracia não pode ser efetivada de forma total se não há dignidade…

Força, Professor!

Olá, pessoal. Gostaria de vir aqui trazer boas notícias do esporte, mas não consigo pensar em outra coisa a não ser na morte precoce de João Pedro Braga, filho do Abelão. #forçaAbel Não o conheci, mas convivi muito com o Abel nos treinos do Flu e também tive uma amizade muito bacana (apesar de rápida) com o Fábio, filho mais velho do treinador. E, quando a gente se apega a algumas pessoas, nos sentimos íntimas delas, né? Confesso que fiquei mal. Desnorteada. Não dormi bem de sábado para domingo e tive um dia estranho. Que facada no peito ver a foto do Fábio ajoelhado, segurando o irmão... Essa foto circulou na internet e abriu um buraco no meu peito. #forçaFabio Sou repórter da TV Live Esporte (o maior conteúdo esportivo da web tv) e ontem foi dia de transmissão. Cobrimos os jogos do América, que vem muito bem no segundo turno da série B1 do Campeonato Carioca. Eu sempre gosto de fazer uma 'Live' divertida nas minhas redes sociais, antes das partidas, para dizer onde estou e passar alguns detalhes do jogo. Mas ontem não consegui. Tudo estava estranho (até o América, que estava invicto há sete rodadas, perdeu). Que domingo... Muitos de vocês sabem que eu vivo numa montanha russa de emoções por causa do problema da minha mãe e da saúde frágil do meu pai. E todos me acham muito forte. Só que eu suplico a Deus para não perder as minhas joias mais preciosas, afinal, não sei o que seria de mim sem os meus guerreiros. Meu Deus, quanto egoísmo da minha parte! Na verdade, um pai é que nunca pode perder um filho. Ainda mais dessa forma! Novo, bonito, com um futuro lindo pela frente e na melhor fase da vida (disse Abel a colegas jornalistas).…