quarta-feira, 26 de junho de 2019

No Renascença, toda segunda-feira é feriado

Nada mais sintomático do que o Primeiro de Maio deste 2017 cair numa segunda-feira. Afinal, é nesse dia da semana que os “trabalhadores” do Rio de Janeiro se reúnem há mais de dez anos, numa das melhores rodas de samba da cidade. O Samba do Trabalhador, comandado por Moacyr Luz e companhia, foi lançado em 2005 e, desde então, não deixa órfãos os sambistas que querem começar a semana ao som de um pagode dos bons. A ideia daquele grupo de amigos era apenas se reunir para comer, beber e batucar. Como músico trabalha sempre aos sábados e domingos, o dia de descanso para eles é a segunda-feira. É nessa data que estão todos livres e podem estar juntos numa roda informal. Nascia o Samba do Trabalhador – nome que, para o funcionário comum, que dá expediente durante a semana, parece ironia das boas. Nestes 12 anos, já foram mais de 600 segundas-feiras em que o couro comeu no Clube Renascença. Desde o começo, o público surpreendeu os sambistas, que não acreditavam em todo aquele fluxo de gente para um encontro tão pouco divulgado. E a cerveja terminava. E os vizinhos reclamavam. E o trânsito da rua era interditado. Tudo adequado a uma história de sucesso imprevisível. Com o tempo, o local foi se estruturando, a roda foi ganhando fama, e hoje o Samba do Trabalhador está em qualquer guia dos bons programas cariocas. Feliz do turista que já pôde curtir as melodias de Moacyr Luz, Gabriel Cavalcante, Alexandre Marmita, Nego Álvaro, Mingo Silva, Daniel Neves, Luiz Augusto Guimarães, Junior de Oliveira e Nilson Visual. O sucesso rendeu frutos surpreendentes para uma roda de samba. O Samba do Trabalhador já tem CDs e DVDs lançados, contando com músicas inéditas e parcerias diversas. Um livro contando a trajetória dos bambas também…

Alma de professor

De todos os títulos que recebi, o que mais gosto é o de professor. A primeira experiência que tive foi aos 15 anos, quando auxiliei um colega nos deveres de Física e Matemática. Desse dia em diante não mais parei de lecionar, exceto por dois períodos: durante o doutoramento na França e no ano em que fui ministro da Educação, pois fiquei impossibilitado de conciliar minha agenda de viagens com a rotina de sala de aula. Desde 1979 sou professor da Universidade de Brasília (UnB), no Departamento de Economia. Fui escolhido o primeiro reitor da Universidade de Brasília (1985 a 1989), por eleição direta, após a ditadura militar. Como reitor, iniciei as reformas que levaram a UnB na direção de uma estrutura tridimensional, graças à multidisciplinaridade. Na minha gestão foi possível aumentar o número de alunos, professores, servidores, departamentos e institutos. Foram criados núcleos temáticos e os núcleos culturais, diversos centros como o de Desenvolvimento Tecnológico, além dos programas de extensão. O resultado disso foi a expansão da universidade com a comunidade exterior, acadêmica e não acadêmica. No período em que fui governador, fiz do Distrito Federal uma imensa escola, assim como fui ministro para educar o Brasil e sou senador para usar a tribuna como estrado de aula para milhões de pessoas. Sou um dos maiores incentivadores do Educacionismo, movimento que luta por uma escola igual para todos: onde o filho do pobre possa estudar na mesma escola do filho do rico. Assim como defendo que o professor precisa ser melhor reconhecido e remunerado, e que tenha à disposição instrumentos e infraestrutura tecnológica como uma das alternativas para despertar o interesse do aluno para o conhecimento. Sob esse aspecto, vale destacar que a velocidade da informação e a inovação tecnológica do mundo contemporâneo exigem que o professor esteja antenado…

Entrevista com Robson Sanchez

Ator, produtor, diretor e advogado, o carioca Robson Sanchez, 39, é um apaixonado pelas artes cênicas. Aos 13 anos iniciou suas aulas de teatro no Retiro dos Artistas e nunca mais parou. Em 1998, fundou com amigos a Farsacena Cia. Teatral. Hoje, à frente da Opsis Soluções Culturais, Robson Sanchez é o responsável pela gestão cultural do Teatro Ziembinski, ou Zimba!, como é carinhosamente chamado por artistas e frequentadores. Vem pro Zimba!     O Quinze: Como e quando surgiu a ideia de montar um projeto para assumir o Zimba? Robson Sanchez: Para o Zimba, especificamente, foi em 2012, quando idealizamos um projeto para concorrer naquela época. Acabou o projeto ficando em segundo lugar. Continuamos com um outro projeto de sucesso da produtora, que é o Shakespeare nas praças, que levou a apresentação de Sonho de uma noite de verão para praças públicas de Curitiba, São Paulo e todas as regiões administrativas da cidade do Rio de Janeiro, bem como a seus municípios limítrofes, sempre através de programas de fomento como FUNARTE, Circuito Estadual das Artes, FATE, Programa de Fomento à Cultura Carioca, dentre outros. E em 2014, colocamos em prática essa ideia de ocupação de um espaço público, de um equipamento teatral, no caso, o Teatro Glauce Rocha, através do edital de ocupação da FUNARTE/2014. De lá pra cá, surgiu a possibilidade de participar da licitação para residência artística dos teatros da Prefeitura do Rio de Janeiro. Iniciamos em março de 2016. O Quinze: Quanto tempo levou todo o processo? RS: O projeto de ocupação foi idealizado em 2012. De lá pra cá, foi amadurecendo e sendo desenvolvido, com toda experiência e conhecimento das atividades que envolvem o fazer teatral de uma vida inteira, melhor, de duas vidas inteiras, minha e de Monique, diretora artística dos projetos da Opsis,…