sábado, 7 de dezembro de 2019

Entrevista com Antonio Pitanga

Nascido em 13 de junho de 1939 na cidade de Salvador, Bahia, o ator Antonio Luiz Sampaio passou a se chamar Antonio Pitanga em 1960, após o grande sucesso de seu personagem no longa dirigido por Cacá Diegues, Bahia de Todos os Santos. Ex-vereador, ex-secretário de Estado e ex-primeiro "damo", como ele mesmo costuma se chamar, o pai dos atores Rocco e Camila Pitanga fala à revista O Quinze sobre vida, cinema, teatro e televisão e sua passagem pela política.   O Quinze: Qual a sua lembrança mais antiga? Antonio Pitanga: Oh, rapaz, a minha lembrança mais antiga por acaso aconteceu agora. São várias lembranças, na verdade, mas uma delas que, pra mim, ilumina a minha caminhada, é do Luiz Carlos Maciel, nosso pensador. Vi agora no Facebook que ele fez 79 anos ontem e eu estava mandando uma mensagem para ele, que vem a ser o meu primeiro diretor no teatro, na peça A morte de Bessie Smith. O Quinze: Isso foi em que ano? AP: Isso foi em 1959. São lembranças muito boas, importantes no meu crescimento. Há várias lembranças da infância e da juventude, mas eu quero citar essa, que está muito fresca, saudando o mestre que me fez subir ao palco para fazer o personagem principal dessa peça. O Quinze: Na Bahia? AP: Isso, na Escola de Teatro da Bahia, onde se formaram grandes nomes como Othon Bastos, Geraldo Del Rey, Sonia dos Humildes, que fez a Dadá em Deus e o diabo na terra do sol... é uma escola iluminada, que deu centenas de atores, diretores, iluminadores e cenógrafos. Uma boa lembrança para mim. O Quinze: Como foi sua infância? AP: Na Bahia, Salvador. Nasci no Pelourinho e me criei na rua Democratas. Fui de colégio interno, entre 11 e 15 anos, porque eu era muito peralta,…

10 dicas para viajar só com bagagem de mão (ou pelo menos com pouca bagagem)

Teremos ou não teremos cobrança extra de bagagem? Enquanto a ANAC, as companhias aéreas, o Ministério Público e a Justiça brigam em torno da possibilidade de cobrança extra para despachar as malas, os passageiros seguem na indefinição. Então, pelo sim, pelo não, a dica é diminuir o tamanho da mala e viajar leve. Afinal, independente do desfecho da questão relativa à cobrança de bagagem, viajar leve só tem vantagens: nada de ficar na fila para despachar a mala ou ficar na esteira esperando a mala aparecer. Além da economia de tempo e do risco zero de extravio de bagagem, fica muito mais fácil fazer deslocamentos de ônibus, trem ou mesmo a pé com pouca bagagem. Como conseguir essa façanha? A resposta não poderia ser mais óbvia: levando pouca coisa. O difícil é identificar o que realmente é importante na hora de arrumar a mala. Veja aqui as nossas dicas para viajar leve: 1) Escolha uma mala leve Escolher uma boa mala ou mochila faz toda a diferença. Imagine viajar com uma mala que vazia já pesa 4 ou 5 kg. Desse jeito, só mesmo um milagre para conseguir ficar dentro do limite internacional de 10 kg de bagagem de mão. Manter o atual limite de 5 kg para voos domésticos então, impossível. 2) De olho na previsão do tempo Antes de pensar nas roupas, sempre verifique a previsão do tempo. Como o tempo anda meio doido ultimamente, leve sempre um short, uma pashimina e um agasalho leve. Sempre é melhor prevenir do que remediar.... 3) Separe tudo o que pretende levar e depois elimine o supérfluo O próximo passo é colocar tudo o que pretende levar na mala em cima da cama. Assim, é possível ter uma visão geral. Depois pense bem, experimente e elimine tudo que é supérfluo. Para conseguir viajar…

Pessoas que eu talvez conheça

A quem se dirige um texto publicado em uma revista na internet? Estava pensando sobre esta questão há alguns dias, definindo a quem me dirigir nesses textos que aqui publico e circulam entre a crônica, a conversa, a poesia, a prosa e o ensaio. De tanto escrever entre gêneros, talvez faça disso um estilo. Pensar no leitor é uma estratégia que pode ganhar muitos direcionamentos. Se o enfoque for literário, é possível dizer que até no Modernismo a questão do modelo a ser seguido era tão ou mais importante do que o que se dizia. A cada poeta o seu soneto e mesmo o Romantismo, na sua pretensa originalidade, estava aprisionado pelas formas fixas e por uma multidão de amadas mortas. No limiar do Modernismo, dirigir-se ao leitor, não para agradá-lo, mas para provocar uma reação, na maioria das vezes de estranhamento, tornou-se escolha estética que levou à perseguição em sua época e angariou admiradores póstumos. Um caso exemplar disso é a revolta causada por Charles Baudelaire na Paris de 1857, com a publicação de As flores do mal. (Falar em Modernismo e em Baudelaire me causam uma autocrítica imediata. Sinto ímpeto de desenvolver melhor a questão da mímesis e das escolas literárias, indicar uma bibliografia.) Nessa busca de decifração do interlocutor possível, reflito sobre como se dá o alcance do texto em meio digital, diferente daquele da revista impressa, seja ela da grande imprensa, alternativa ou do meio acadêmico, mais restrita em seu formato e público, com as palavras para sempre diagramadas de uma maneira específica, marcadas no papel. Mantenho minha admiração pelos jornais e revistas possíveis de serem manuseados, sobretudo aqueles que parecem improváveis espaços para a arte e não apenas voltadas para o lucro. Com esse perfil, dentre poucos veículos na atual produção brasileira exclusivamente voltados para…

O desafio da saúde pública no Brasil: um olhar do profissional de saúde

Ao arrepio da lei acompanhamos obnubilados o cenário dramático do SUS sobretudo no estado do Rio de Janeiro, que ao longo dos últimos anos cultiva uma gestão incompetente e desqualificada numa das áreas mais importantes de qualquer governo: a saúde. Certamente, o clamor dos usuários dos serviços públicos de saúde tem chegado aos céus, sobretudo aqueles que procuram os atendimentos de emergência nas unidades fluminenses, que no momento enfrentam o caos existencial e o trágico descaso com a vida humana, oriundos de um governo que investe na aparência pessoal, todavia se esquecendo da essência republicana que deve prevalecer na administração do orçamento público. Mas, será que esse cenário é recente? Infelizmente, não. O descaso com a saúde em nosso país tem história patológica pregressa já faz alguns anos. Esse câncer já formou metástases e se dissemina velozmente causando sofrimento e angústia sobretudo aos mais necessitados, que não suportam pagar os onerosos planos de saúde das milionárias operadoras de saúde e que também não têm renomados médicos particulares ou hospitais privados de alta complexidade disponíveis para atendê-los. Não há qualquer dúvida que se realizássemos uma diligente anamnese histórica do quadro de saúde em nosso país, iríamos diagnosticar uma síndrome de incompetência com lapsos de lucidez técnica. É notório o amadorismo em certas gestões e paroxisticamente se percebe que as comorbidades associadas são algumas das vezes não muito republicanas. Posto isso, causa-nos náuseas e vômitos quase incoercíveis essa forçada quimioterapia do bom senso que temos que acompanhar, quase que diariamente, ao testemunhar as diversas notícias sobre os casos de corrupção e desvios de verbas públicas, sobretudo em certas Organizações Sociais de Saúde (OSS), modelo de terceirização da gestão pública de saúde. Aliás, essas que na sua gênese no Rio de Janeiro, segundo alguns especialistas, seriam a solução, hoje se tornaram um problema oneroso…

A dor e a delícia de ser quem é

Com uma semana relativamente folgada – uma raridade – resolvi me atualizar assistindo às películas em cartaz. E acabei fazendo as pazes com as salas de cinema, coisa que há tempos vinha implicando. Pois é. Apesar de ser grande fã da sétima arte, nos últimos anos diminuí consideravelmente minhas saídas de casa para ver filmes. Os ingressos caros, as filas invariavelmente grandes/entradas esgotadas rapidamente na internet, os combos pipoca com refrigerante ainda mais caros que os ingressos, tudo isso transformou uma experiência positiva com o cinema – cresci frequentando a Cinelândia, com salas grandes, valores justos e pipoqueiro na porta – num martírio. Mas a semana foi abençoada com duas grandes contações de história: “Moonlight” e “Logan”. Falar desses dois filmes num mesmo texto talvez pareça estranho: o primeiro é um vencedor do Oscar fora dos padrões da Academia – tem mais um clima Sundance, de cinema independente norte-americano -, e o segundo encerra uma trilogia de filmes sobre Wolverine, membro dos X-Men e um dos personagens mais populares da Marvel Comics. Mas, sob o meu olhar, para além das peculiaridades de cada um, identifico semelhanças: uma delas é que os filmes tratam, sobretudo, de papéis que as personagens principais são levadas a assumir por força das circunstâncias. Chiron (Trevante Rhodes), sob quem se desenvolve a história de “Moonlinght”, é um jovem negro da periferia de Miami que deve corresponder ao lugar que lhe é socialmente reservado em detrimento de quem realmente ele é e deseja ser. Já Logan, nome civil do Wolverine, começa o filme fugindo do papel que lhe foi reservado – o de herói – mas as circunstâncias o levam forçosamente de volta a esse caminho. Outra semelhança é que ambos os filmes falam sobre relacionamentos entre pais e filhos. Chiron é criado pela mãe que mergulha…