sexta-feira, 22 de novembro de 2019
Economia

O Brasil e o mundo

Vivemos num mundo onde as 500 maiores empresas multinacionais privadas, de todos os setores, detém 52% do PIB mundial. Trata-se de um poder econômico que perpassa por todos os segmentos, políticos, sociais e ideológicos. Assusta perceber que esse monopólio e seus tentáculos controla e viabiliza a maximização de seus lucros, desprezando o custo humano e obstando qualquer possibilidade de controle, seja ele do Estado, Parlamentar, ou qualquer outro de natureza social. Assusta mais ainda observar que o homem já não possui controle sobre este Mamute que cresce sem controle e é desprovido de uma força reguladora que o manipule. Só caminha para o destino por ele mesmo traçado e se retroalimenta com sua própria força, sem possibilidade de interferência de quem ou o que quer que seja! Diante de tal cenário, dá para perceber que o Brasil, visto sob a ótica do curso de um rio, encontra-se à margem, não tem protagonismo algum e, por enquanto, seu destino parece ser a vala comum. Se considerarmos o mundo como era até a extinção da URSS, verificamos que uma terça parte de seus habitantes viviam em regimes denominados como comunistas e o capitalismo estava circunscrito a uma determinada região. A partir dos anos 90, o capitalismo ganhou força e o mercado passou a regular tudo. Nascia uma ideologia que alterou significativamente a consciência política dos homens, produzindo, e legitimando, uma só instância de regulação, o neoliberalismo. O sistema define que os homens não sustentam a história e sim os mercados, cuja força obedece às leis da natureza. O mundo experimentou uma evolução incrível no processo científico e de invenção tecnológica sem precedentes. Entre o início dos anos 1990 e os anos 2000, o PIB mundial dobrou. Cabe ao homem, por não ser mais sujeito da história, adaptar-se ao mundo. O volume de…

Tudo muito confuso

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, a pedido do Ministério Público do Estado, autorizou a quebra do sigilo bancário e fiscal do senador Flávio Bolsonaro, de seu assessor Fabrício Queiroz e de várias outras pessoas. Portanto, mais um evento incômodo ao governo do presidente Jair Bolsonaro. A novidade surge num momento em que diversas turbulências ocorrem no seio do governo, algumas provocadas internamente e que geram desestabilização nos esforços voltados para o que é mais importante no momento. Os cortes na área de educação deflagraram uma série de críticas, especialmente por conta do impacto na área de pesquisa, já que atingiram centenas de bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado no país todo. Como se trata de medida geral e há pesquisas com maturação de até 10 anos, parece que a opção deverá ser a de optar-se pela saída do país para dar curso aos trabalhos, evitando-se perdas irreparáveis. É conhecida a situação econômica do país e o corte pode até ser necessário, mas não há como se aceitar quando a motivação parece ser ideológica ou somos informados rotineiramente sobre os excessos de mordomias nos três poderes. Há muito o que cortar, sem dúvida, antes de o fazer na educação! O ministro da Ciência e Tecnologia, por óbvio, sentiu que sua área foi atingida e está buscando dialogar com o titular da educação, que também foi convocado a prestar esclarecimentos ao Congresso. A reunião sobre clima marcada para acontecer em Salvador-BA foi cancelada. Definitivamente, todas as ações deste ministro do Meio Ambiente parecem ser antagônicas à proteção e carregadas de abertura maior para o agronegócio, que vai muito bem e seu crescimento é muito bem-vindo. Mas os fatores climáticos, quando vilipendiados, podem gerar consequências nefastas aos próprios produtores. Aqueles que percebem isso costumam se posicionar como defensores do meio…

Os 100 dias

É pouco tempo, mas costuma ser emblemático para definir um bom ou mal começo de governo. A pesquisa Datafolha para o período apresentou um resultado desfavorável ao governo Bolsonaro, quando comparado aos governos eleitos no período da redemocratização. Mas isso não significa muita coisa, afinal o importante é que se tenha adotado políticas efetivas objetivando os resultados de que o país tanto necessita. No período anterior à posse, foi montado um primeiro escalão com uma configuração muito boa, onde se destacavam os ministros Paulo Guedes e Sérgio Moro, liderando os ministérios mais importantes e, por isso mesmo, com muito trabalho pela frente. Surgiram alguns problemas de investigação por conta da movimentação atípica de valores envolvendo funcionários do gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro, filho de quem o nome sugere. Embora não seja assunto do governo, foi um fato perturbador, já que envolvia o filho do presidente e seu amigo de 30 anos. Já na área política, o episódio da demissão do ministro Bebianno, com participação de outro filho do presidente, este Vereador, trouxe um certo desgaste, pois envolvia, inclusive, problemas de candidaturas irregulares no partido do presidente. De bom mesmo, a entrega dos projetos dos dois mencionados ministros ao Congresso. Paulo Guedes apresentou um projeto bem estruturado e está defendendo, como pode, a sua aprovação, sempre mencionando a necessidade de se economizar R$ 1 trilhão em 10 anos, como o estabelecido no trabalho em análise na Câmara dos Deputados. Tem obtido manifesto apoio do presidente da Câmara. Em que pese algumas turbulências na fase inicial de tramitação, como também manifestações antagônicas entre os presidentes do Brasil e o da Câmara, parece que agora as coisas se acalmaram e o projeto de reforma segue seu curso, porém já há quem afirme, dentro do Congresso, que esta reforma deve alcançar uma…

Primeiros dias

Já podemos fazer uma análise inicial do novo governo, afinal já decorreram 75% do período emblemático dos “100 dias”. Muito aconteceu neste período. Uma boa proposta de reforma da previdência chegou ao Congresso, assim como o pacote contra a corrupção e leis para melhorar a dinâmica do processo legal. Estas ações vieram dos dois ministros cujas respectivas nomeações são consideradas grandes acertos do presidente. Há muita incerteza e ações confusas nas áreas de relações internacionais e educação. O presidente pretende demitir 15 embaixadores para melhorar sua imagem no exterior. O que isto quer dizer? Não parece ser atribuição de diplomatas tratar da imagem presidencial e sim do país, até porque ela é construída pelos atos e palavras do próprio onde quer que esteja. São suas ações que definem sua imagem, não um diplomata com atribuição de marqueteiro. O fato é que nossa política externa está sendo conduzida, como nos tempos petistas, de forma ideológica. O ministro da área vive falando contra a China, associa as relações comerciais com os chineses, nas palavras do embaixador Paulo Roberto de Almeida, a uma suposta decadência social, política e cultural. Nesta área, para piorar o quadro, tem um filho do presidente que, aparentemente, é um crítico nas relações com a União Europeia. Estamos falando de grandes mercados para os produtos brasileiros. O setor do agronegócio, área em que somos efetivamente muito desenvolvidos e exercemos liderança no mundo, inclusive em termos tecnológicos, já questionou algumas falas do nosso chanceler. O que se vê, e o que se teme, é um caminho para alinhamento automático com os EUA, o que, no mínimo, é incerto ser bom para o Brasil. Quanto à área de educação, não se viu, até o momento, nada de concreto como política para o setor. Pode até existir, mas o que se viu…

O jogo vai começar

Podemos afirmar que o governo Bolsonaro vai começar. Vencida a fase hospitalar, a parte mais importante para o sucesso do governo está entrando em campo. O ministro Sérgio Moro já encaminhou o seu pacote de medidas a serem avaliadas no Congresso. Já o ministro Paulo Guedes informa já estar pronta a proposta de reforma mais importante de sua pasta, a da Previdência, faltando apenas a decisão do presidente, que já assumiu seu posto após o período de internação. Há muito ainda para ser encaminhado, principalmente assuntos vinculados à pasta da Economia, mas vencer a etapa da reforma da Previdência vai ser fundamental para o governo e, especialmente, para o país. Existe algum ruído neste início de governo, envolvendo algumas ações mais confusas na área de meio ambiente, turbulência em relação ao filho mais velho do presidente na época em que era deputado estadual e agora a criação de uma crise política dentro do governo por declaração de outro filho do presidente que acusa um ministro de mentiroso. São coisas que perturbam, porém não abalam o governo, mas podem prejudicar a reforma cuja expectativa para que seja aprovada é imensa. Há muitas informações confusas e até mesmo contraditórias. Fala-se de coisas muito boas. Que ela será igualitária, atingirá a todos e terá abrangência para trazer paz no futuro e estabilidade fiscal. Esta reforma já deveria ter sido realizada há mais de 5 anos. O tempo perdido serviu para aprofundar a crise fiscal do pais, com recessão e desemprego, e levando a um aumento substancial dos remédios amargos para a correção do rumo. É bom que se diga que nessa área não existe mágica. Uma reforma profunda e certamente impopular não será suficiente para gerar rapidamente superávits desejados. Quando se fala em economia de R$ 1 trilhão em 10 anos parece muito,…

Dias tenebrosos de contagem de corpos

Você moraria em Brumadinho, ou pior, trabalharia na linha de acesso da morte? Quem sabe em Mariana, ou perto do Morro do Bumba em Niterói? Talvez na região serrana do Rio, ou ainda caminharia como turista pelo Rio de Janeiro com a tranquilidade de alguém que não será assaltado ou vai se deparar com uma bala perdida, ou achada? Todas as tragédias que se multiplicam pelo país trazem como pano de fundo diversos responsáveis nunca julgados ou condenados. Nem os envolvidos diretamente, nem aqueles, verdadeiros criminosos, que se acobertam nos braços do estado, das “jogadas políticas”, sugando dinheiro público e administrando os interesses escusos que redundam em mortes. Bem verdade que a Lava-Jato conseguiu algum êxito na penalização de alguns, mas apenas no segmento em que lhe é permitido agir. O novo governo talvez achasse que a forma de corrigir muito desse estado de coisas fosse “afrouxar” licenças ambientais, mascarada pela sentença “mais rapidez”. Considerava também ser o IBAMA um administrador de multas. E, ainda, que o segmento “meio ambiente” não merecia um Ministério. Ainda bem que o presidente não é daqueles conduzidos pela soberba. Ele volta atrás e isso é uma qualidade, sem dúvida! Manteve o Ministério e desistiu de tratá-lo como um apêndice da Agricultura. Diante da tragédia de Brumadinho, agiu rápido e continua fazendo o que precisa ser feito, completamente o inverso do que fez em 2015 a Dilma, que carregava a incompetência associada à soberba em sua mente confusa. Se essa tragédia não tivesse ocorrido no início, o novo governo, somente por suas declarações, seria responsabilizado por adoção de uma política irresponsável, coisa que pateticamente a oposição tenta fazer, talvez querendo mascarar a verdadeira razão para fatos assim acontecerem. Afinal, o que está por trás de tanta tragédia? Todos sabemos, ou pelo menos já estamos percebendo,…