quarta-feira, 20 de março de 2019
Economia

O jogo vai começar

Podemos afirmar que o governo Bolsonaro vai começar. Vencida a fase hospitalar, a parte mais importante para o sucesso do governo está entrando em campo. O ministro Sérgio Moro já encaminhou o seu pacote de medidas a serem avaliadas no Congresso. Já o ministro Paulo Guedes informa já estar pronta a proposta de reforma mais importante de sua pasta, a da Previdência, faltando apenas a decisão do presidente, que já assumiu seu posto após o período de internação. Há muito ainda para ser encaminhado, principalmente assuntos vinculados à pasta da Economia, mas vencer a etapa da reforma da Previdência vai ser fundamental para o governo e, especialmente, para o país. Existe algum ruído neste início de governo, envolvendo algumas ações mais confusas na área de meio ambiente, turbulência em relação ao filho mais velho do presidente na época em que era deputado estadual e agora a criação de uma crise política dentro do governo por declaração de outro filho do presidente que acusa um ministro de mentiroso. São coisas que perturbam, porém não abalam o governo, mas podem prejudicar a reforma cuja expectativa para que seja aprovada é imensa. Há muitas informações confusas e até mesmo contraditórias. Fala-se de coisas muito boas. Que ela será igualitária, atingirá a todos e terá abrangência para trazer paz no futuro e estabilidade fiscal. Esta reforma já deveria ter sido realizada há mais de 5 anos. O tempo perdido serviu para aprofundar a crise fiscal do pais, com recessão e desemprego, e levando a um aumento substancial dos remédios amargos para a correção do rumo. É bom que se diga que nessa área não existe mágica. Uma reforma profunda e certamente impopular não será suficiente para gerar rapidamente superávits desejados. Quando se fala em economia de R$ 1 trilhão em 10 anos parece muito,…

Dias tenebrosos de contagem de corpos

Você moraria em Brumadinho, ou pior, trabalharia na linha de acesso da morte? Quem sabe em Mariana, ou perto do Morro do Bumba em Niterói? Talvez na região serrana do Rio, ou ainda caminharia como turista pelo Rio de Janeiro com a tranquilidade de alguém que não será assaltado ou vai se deparar com uma bala perdida, ou achada? Todas as tragédias que se multiplicam pelo país trazem como pano de fundo diversos responsáveis nunca julgados ou condenados. Nem os envolvidos diretamente, nem aqueles, verdadeiros criminosos, que se acobertam nos braços do estado, das “jogadas políticas”, sugando dinheiro público e administrando os interesses escusos que redundam em mortes. Bem verdade que a Lava-Jato conseguiu algum êxito na penalização de alguns, mas apenas no segmento em que lhe é permitido agir. O novo governo talvez achasse que a forma de corrigir muito desse estado de coisas fosse “afrouxar” licenças ambientais, mascarada pela sentença “mais rapidez”. Considerava também ser o IBAMA um administrador de multas. E, ainda, que o segmento “meio ambiente” não merecia um Ministério. Ainda bem que o presidente não é daqueles conduzidos pela soberba. Ele volta atrás e isso é uma qualidade, sem dúvida! Manteve o Ministério e desistiu de tratá-lo como um apêndice da Agricultura. Diante da tragédia de Brumadinho, agiu rápido e continua fazendo o que precisa ser feito, completamente o inverso do que fez em 2015 a Dilma, que carregava a incompetência associada à soberba em sua mente confusa. Se essa tragédia não tivesse ocorrido no início, o novo governo, somente por suas declarações, seria responsabilizado por adoção de uma política irresponsável, coisa que pateticamente a oposição tenta fazer, talvez querendo mascarar a verdadeira razão para fatos assim acontecerem. Afinal, o que está por trás de tanta tragédia? Todos sabemos, ou pelo menos já estamos percebendo,…

O presidente Jair Bolsonaro acompanhado por seu filho, o senador Flávio Bolsonaro.

As trapalhadas e os danos políticos

A semana termina quente, com desdobramentos do caso envolvendo o deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro e seu ex-assessor Fabrício Queiroz. A investigação em movimentações financeiras suspeitas, ocorrida em diversos gabinetes de deputados da ALERJ, levou a um relatório do Controle de Atividades Financeiras (COAF) onde foram identificadas várias movimentações atípicas, sendo uma delas referente ao mencionado assessor. Após diversas faltas à convocação para se explicar, Queiroz foi internado, alegou doença grave, seus familiares, também convocados, não compareceram e, por fim, o senador eleito foi também convocado e não compareceu. Entre lances de questionamento jurídico, que levaram à interveniência do STF por questões vinculadas ao seu foro privilegiado, o senador eleito aguarda manifestação do ministro Marco Aurélio e sequência do assunto, pelo que optou por não mais se manifestar por hora sobre o imbróglio em que se meteu. Isto justamente no momento em que surge a informação documentada de que, em apenas um mês, foram depositados em sua conta R$ 96 mil através de depósitos fracionados de R$ 2 mil cada. O parlamentar apenas se defende dizendo que, se julgado, o seja no foro competente, e se diz perseguido por ser filho de quem é. Debates acalorados acontecem em diversas instâncias, políticas ou não, principalmente nas redes sociais. A mídia, como sempre, é muito comentada. Interessante observar que o senador tenha concedido entrevista à Rede Record e que a esquerda não critique a postura da Rede Globo em noticiar o assunto como quando noticiava as mazelas do PT. Existem casos, como mencionado acima, muito piores e de mesma natureza na ALERJ. É de se supor que, no âmbito da justiça, todos estão sendo investigados, aliás foi isso que suscitou a questão da movimentação financeira atípica vinculada ao Queiroz. Mas a imprensa não está dando o mesmo destaque para todas,…

Antes dos novos tempos, o indulto!

Praticamente definido o novo ministério que iniciará o governo Bolsonaro. A pasta da Economia se destaca principalmente por sua diretriz completamente diversa do que nos acostumamos a observar nos últimos anos. Finalmente vamos experimentar uma direita liberal na economia e teremos, como seus integrantes, alguns economistas denominados como “Chicago Boys”. Essa escola de Chicago experimentou seu ápice nos anos 70, com críticas contundentes ao Keynesianismo. Sua grande referência é o economista Milton Friedman, que cunhou uma frase interessante e que ressalta claramente sua linha de ação. Disse ele: “se o governo passar a administrar o deserto de Saara, em 5 anos faltará areia!” O futuro ministro Paulo Guedes, quando estudante de pós-graduação na Universidade de Chicago, estreitou laços com economistas chilenos. A primeira experiência econômica da escola de Chicago se deu no Chile, na época da ditadura do general Pinochet, e pode-se dizer que produziu bons resultados. Posteriormente, Friedman assessorou o presidente Reagan, mas somente após a experiência chilena, o modelo da Escola de Chicago foi considerado nos EUA e Inglaterra. O Chile, naquele período, abriu sua economia. Há um pensamento neste sentido agora no novo governo e as linhas de ação estão indicando um alinhamento com os EUA. Mas se olharmos para o que acontece no G20, veremos que, atualmente, temos uma China (nosso maior parceiro comercial e segunda economia do mundo) defendendo o multilateralismo e o Trump brigando pelo protecionismo. Os dois estão em plena batalha econômica e talvez não seja uma boa política jogar dados neste jogo. O Mercosul tem muita coisa ruim e pode ser entrave à expansão da abertura comercial brasileira, mas nossa indústria subsiste muito mais por conta da Argentina do que do resto do mundo. Já no agronegócio temos um papel relevante, mas, por isso mesmo, as salvaguardas estão nos países que atuam…

Mais acertos do que erros, mas vai ser difícil!

Parece até aquele tempo longínquo em que o eleito primava pela “paz e amor”! Bolsonaro surpreende pela moderação e, mais ainda, pela transferência de poder para aqueles que, pelo seu julgamento, assim mereçam, casos típicos de Paulo Guedes e de Sérgio Moro! Está sendo reconhecido também pela humildade com que volta atrás em conceitos e ações avaliadas de forma açodada. Neste caso, melhor seria que discutisse mais os assuntos, ouvisse mais e, por conseguinte, decidisse com mais segurança. Vive o período da calmaria, em que recebe afagos e organiza a montagem da sua equipe de governo. Mas algumas questões abordadas durante a campanha voltaram à cena. Algumas referenciadas como de política internacional e que foram suscitadas sem ainda ter escolhido seu ministro de Relações Exteriores. Surgiram então estresses desnecessários no mundo árabe, por exemplo, por conta do manifesto desejo de deslocar a embaixada brasileira em Israel para Jerusalém, não se sabe bem o que o Brasil poderia ganhar com isso. Outra questão foi o ataque ao programa “Mais Médicos”, com profissionais cedidos por Cuba, contratado pelo governo petista e com uma concepção completamente inadequada, com viés ideológico, oportunista e político. Ao declarar que não mais aceitará os termos do acordo, gerou uma resposta de Cuba que determinou a retirada de todos os profissionais cubanos do Brasil. Bom lembrar que o presidente a resolver o assunto é o Temer. Bolsonaro apenas vai esperar 2019 para colher os louros da vitória ou, o que seria muito ruim se acontecer, declarar que Temer não tratou corretamente do assunto. Nessa coisa toda, cabem algumas perguntas: se alguma criança ou adulto morrer sem assistência durante o período de transição, além do fato trágico, vai prejudicar a quem? É de se esperar que a maioria dos municípios mais pobres e miseráveis que foram contemplados com o…

Boa sorte, presidente!

Acabou o período eleitoral, voltamos para a realidade dura, mas com esperanças renovadas ou frustrações desesperançadas. Temos um presidente eleito que soube escutar os anseios do povo, dar respostas ao clamor contra o lulopetismo e, apesar de uma verborragia um tanto inconsequente e propostas aparentemente inexequíveis, atingiu em cheio o desejo da maioria por segurança, combate à corrupção, reformas e preservação da pátria e da família! O PT, por conta da expressiva votação, representada pelos cerca de 30% históricos de sua militância, já que o resto está no campo dos votos contra o seu oponente, promete uma oposição aguerrida. É bom que assim seja. Afinal a democracia precisa de questionamento e vigilância! Mas o PT não aceita o contraditório, tudo fará para desestabilizar o novo governo pois, para eles, o certo será sempre o que pensam ou fazem. Nunca apoiaram nada de bom nos governos oposicionistas e, embora tenham nascido como o partido da ética, perderam-se pelo caminho e extrapolaram os níveis de corrupção praticados e saquearam impiedosamente os cofres públicos. Perderam completamente a capacidade de ser uma oposição forte e que se coloque como opção para correção de rumo. Há um discurso crítico ao presidente eleito pela declaração de que iria varrer do país os vermelhos. Sustentam ser uma ameaça. Pior era o discurso populista de Lula criticando as elites de “olhos azuis” e, no mesmo dia, à noite, reunia-se com essas mesmas elites de “olhos azuis” para tomar uns drinques e acertar as contrapartidas para as MP de seus interesses, obras desgraçadamente superfaturadas, caixa 2 e vantagens. Neste último item, já se pode citar um certo triplex que lhe rendeu uma condenação superior a 12 anos de reclusão em regime fechado. O que fez e faz o PT? Em lugar de admitir seus erros, tentar retomar seu caminho,…