Edição 24

15/02/2018

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sábado, 24 de fevereiro de 2018
Gastronomia

Doces como recompensa: o início dos maus hábitos alimentares

A alimentação da criança é muito desafiadora. Doces são geralmente um dos primeiros recursos que pais e responsáveis usam para recompensar uma criança por uma boa ação, para estimular o consumo de vegetais ou, até, por estarem ausentes durante todo um dia de trabalho. E, é aí que está o grande perigo! Os doces são ricos em calorias de baixa qualidade e pobres em nutrientes, especialmente vitaminas, minerais e fibras. Isso pode ser um fator determinante para o risco do desenvolvimento da obesidade. Entre crianças de 7 a 9 anos de idade é preocupante o aumento da prevalência de sobrepeso e obesidade e a associação destas com complicações no metabolismo e desenvolvimento de doenças cardiovasculares, ortopédicas, psicológicas entre outras. A introdução de alimentos complementares não adequados, como doces, chocolates, sorvetes, tem sido apontada como determinante para o desenvolvimento da obesidade infantil. Vale a pena revermos conceitos da educação alimentar, à medida que a obesidade é uma doença crônica e está crescente entre crianças no mundo todo. No Brasil, dados do IBGE de 2009, mostram que o excesso de peso é encontrado com grande frequência, a partir dos 5 anos de idade em todos os grupos de renda e em todas as regiões brasileiras. Portanto, não ofereça doces como recompensa! Usar guloseimas para estimular as boas ações da criança só atrapalha a formação da relação dela com a comida e os bons hábitos alimentares. Reflita comigo: se, sempre que ela fizer algo de bom, for “presenteada” com um doce ou chocolate, a criança vai achar que esse é o alimento que tem maior valor. Então, que tal buscar outras formas de recompensar as boas ações dos pequenos e a nossa ausência física durante um dia de trabalho? E, assim, moderar o estímulo ao consumo de açúcar e alimentos de baixa qualidade…

Febre amarela, malária, dengue? Inhame inhame!

Por Sônia Hirsch*   A saúde é simples, as doenças é que são complicadas. Por séculos e séculos as populações tropicais sobreviveram comendo apenas o que dava no local onde tinham suas aldeias. Nas regiões úmidas, ladeando as grotas onde grassavam mosquitos, sempre houve fartura de inhame – na Ásia, na África, na América do Sul. Fácil de colher, fácil de preparar e ainda por cima gostoso, o inhame se tornou um dos principais alimentos básicos desses povos. O que não se sabia é que, durante séculos e séculos, o pequeno e cabeludo inhame estava protegendo as gentes da malária, da dengue, da febre amarela. E eis que chegou a mandioca, aipim, também deliciosa e fácil. Que além do mais dava boa farinha, própria para guardar ou fazer pão, goma para a tapioca de cada dia e ainda bebidas alcoólicas como cauim, alué e tiquira, que ajudavam a esquecer e sonhar. O inhame ficou pra lá. As gentes começaram a morrer de malária, de dengue, de febre amarela. Isso foi muito bem observado na África, onde as roças de inhame foram substituídas por seringais. Comer inhame continua funcionando para evitar e tratar as doenças transmitidas por mosquitos. Há algo no inhame, talvez o altíssimo teor de zinco, que neutraliza no sangue o agente infeccioso transmitido pelo mosquito. Diz o povo que é seu visgo que tem poderes. Não se sabe ao certo. A pesquisa científica ainda não se interessou. Até pouco tempo atrás circulava nas farmácias um tônico centenário à base de inhame e salsaparrilha, o Elixir de Inhame Goulart, usado até como coadjuvante no tratamento de sífilis. A Anvisa não renovou a licença por falta de comprovação da eficácia. Nada corre mais perigo hoje em dia do que uma coisa barata com propriedades medicinais. (Não confundir com um tal…

Obesidade X Estresse Crônico: uma proposta de reflexão!

Atualmente, há um crescente número da população mundial, especialmente de crianças e adolescentes, com sobrepeso ou obesos. Com isso, maior risco de desenvolver doenças associadas a obesidade. Mas o que causa a obesidade? Que fatores levam as pessoas a comer muito mais calorias do que precisam? A fazer escolhas alimentares de produtos tão inadequados a sua saúde, ainda que conscientes disso? A tensão que vivemos no dia a dia com os problemas da atualidade, tais como desemprego, excesso de trabalho, violência, corrupção, aborrecimentos nos levam a um constante estado de alerta. Com isso, estamos nos deparando com pessoas, inclusive crianças e adolescentes, sofrendo de sérios desequilíbrios no funcionamento do nosso corpo. Especialistas têm alertado para o aumento exagerado nos níveis de cortisol – um hormônio produzido pela glândula adrenal para nos tirar de situações de risco. Para ilustrar melhor como este hormônio deveria funcionar, vamos voltar ao tempo das cavernas. Quando o homem se deparava com um leão, era liberado cortisol para que ele tivesse uma preparação do corpo para fugir daquela situação. Podemos dizer que este é um hormônio relacionado a sobrevivência. O problema é que, nos dias de hoje, temos um leão a cada hora. É tanto estresse que o que acontece é um desequilíbrio do cortisol e de todos os demais hormônios envolvidos no metabolismo da energia. Os níveis deste hormônio alterados, sendo altos ou baixos, desencadeiam uma série de consequências como o aumento da insulina e da glicose no sangue, um acúmulo de gordura na região abdominal, obesidade. Os sintomas deste desequilíbrio vão além: as pessoas já acordam cansadas, vivem muito ansiosas, não conseguem ter boa noite de sono, tem baixa concentração e memória, compulsão alimentar, tendem a consumir mais cafeína e álcool, como forma de relaxar. A essa doença chamamos de ESTRESSE CRÔNICO, também conhecida…

em-raiz, ar

imagem: Mariana Feitosa / LivreAmar (https://www.instagram.com/livreamar/) que entre raiz e flor há um breve traço: o silêncio do lenho, ― quieta liça entre a raiz e a flor, o tempo e o espaço. Jorge de Lima. Poesia Completa   Demorei algum tempo para colocar as mãos na terra. Cresci numa cidade do velho mundo onde aprendi primeiro a decorar a placa da van do colégio e como colocar a moeda no carrinho de compras do supermercado e só muito tempo depois fui entender que o atum não nasce na lata e que o abacaxi não fica pendurado na arvore (isso na verdade eu só descobri mesmo quando já morava deste lado do mundo...). Uma vez na escola vi um desenho que lembro até hoje: um árvore com folhas, frutos, ramos, tronco e raízes. Dizia na legenda que as árvores espelham sob o solo a forma que vemos cá fora. Essa imagem me deixou impactada. Raízes eram uma realidade muito distante, secreta e ameaçadora para mim. Me dava medo o úmido, os seres muito pequenos, o desconhecido, as texturas, o lugar de onde a vida vem que é o mesmo lugar de onde a morte acontece. Chegar perto de onde tudo nasce é permitir-se ficar no limbo de onde tudo se evapora, vira pó. Era 2012, construíamos uma casa de barro e me perguntavam o que eu mais tinha vontade de aprender a fazer, naquele momento: plantar uma batata. Comecei a mexer na terra fazendo dela tijolos, mas me fascinava ainda o não entender como dessa terra a vida acontecia, como ela podia ser tão mais do que eu alcançava quando a olhava. Plantar uma batata. Batatas são seres que alimentam nunca deixando de ser, em essência, raízes. Tubérculos são gnomos do solo, protetores e limpadores, sem nunca verem a luz…

Modismo à mesa!

Alimentos que viraram vilões e outros que viraram a salvação. A adesão aos modismos alimentares vem acompanhada pela promessa de emagrecimento. São tendências, sem nenhuma base científica, que levam as pessoas a uma série de restrições severas, como é o caso da dieta low carb (que está super em alta!) ou que idolatram a dieta detox, como uma forma milagrosa de combater a intoxicação causada pelo consumo excessivo de comidas não muito saudáveis, o famoso “jacar”. E, o que dizer dos grandes vilões do momento: glúten e lactose? Grande parte da população vem banindo do prato o glúten, uma proteína presente em cereais como o trigo, centeio e cevada. Porém, curiosamente, apenas 1% da população mundial é celíaca, doença que leva a não aceitação do glúten pelo organismo. Esta proteína ganhou a fama de inimiga da dieta saudável por influência da moda ditada pela redução no consumo de pães e massas, levando ao emagrecimento. Por certo, ocorre uma perda de peso quando se adota uma alimentação com menor consumo de calorias. O que não significa ser necessário a retirada de determinados alimentos da dieta. A intolerância à lactose é, também, outra moda adotada pela população. É verdade que o consumo deste açúcar, presente em leite e derivados, pode causar desconfortos, como dor e sensação de barriga inchada em algumas pessoas. Mas isso não determina a necessidade de retirar completamente os produtos lácteos da dieta. Ainda menos por se acreditar que não consumir lactose ajuda no emagrecimento. Ao contrário, a retirada de determinados alimentos, sem nenhum diagnóstico que exija essa ação e sem a orientação necessária para que se façam as corretas substituições, pode provocar deficiência de nutrientes importantes. Como por exemplo, o baixo consumo de cálcio na adolescência, que provoca má formação óssea e importante prejuízo na vida adulta. Não…

Ceia de Natal: sem exageros, por favor!

E já estamos no clima do Natal. Pelas ruas, shoppings e casas estão as decorações com luzes natalinas, as árvores de Natal, guirlandas nas portas. Todos símbolos desta tradição. E também é tradição coroarmos a noite de Natal com a ceia: um jantar especial que preparamos para confraternizar com a família e os amigos. Mas por que será que preparamos tantas comidas e com alimentos que não fazem parte do nosso cotidiano? Bom, vamos entender a origem da ceia de Natal: a versão mais conhecida é que a ela teve origem do antigo costume europeu de deixar as portas das casas abertas no dia de Natal para receber viajantes e peregrinos. E, que para essa comemoração, era preparada bastante comida, composta por diversos pratos. Essa tradição foi se espalhando pelo mundo e cada região acrescentou uma particularidade local. Aqui no Brasil, os principais pratos da nossa ceia são: peru, leitão, farofa, frutas (especialmente as brasileiras), castanhas, nozes, bolinhos de bacalhau, Panetone, rabanada. E cada família tem suas receitas e tradições. Mas percebo uma característica em comum, que tem a ver com a origem da ceia de Natal: a fartura de comida servida à mesa. Aliás, confesso que até há um certo exagero. São tantas variedades e quantidades que o desperdício é fato! Em um ano que vivemos uma importante crise econômica e com a fome, que é uma realidade no mundo, convido você a refletir sobre o quanto é nossa responsabilidade sermos coerentes e buscarmos um cardápio especial sim para esta confraternização, porém, sem exageros, sem desperdícios. Além disso, o exagero na alimentação nesta época do ano faz com que muitas pessoas acordem com medo da balança. Portanto, preparar uma ceia de Natal em que consideremos o equilíbrio e a moderação, irá ajudar, também, a economizar calorias. Lembre-se: é um…