quinta-feira, 21 de setembro de 2017
Entrevistas

Entrevista com Robson Sanchez

Ator, produtor, diretor e advogado, o carioca Robson Sanchez, 39, é um apaixonado pelas artes cênicas. Aos 13 anos iniciou suas aulas de teatro no Retiro dos Artistas e nunca mais parou. Em 1998, fundou com amigos a Farsacena Cia. Teatral. Hoje, à frente da Opsis Soluções Culturais, Robson Sanchez é o responsável pela gestão cultural do Teatro Ziembinski, ou Zimba!, como é carinhosamente chamado por artistas e frequentadores. Vem pro Zimba!     O Quinze: Como e quando surgiu a ideia de montar um projeto para assumir o Zimba? Robson Sanchez: Para o Zimba, especificamente, foi em 2012, quando idealizamos um projeto para concorrer naquela época. Acabou o projeto ficando em segundo lugar. Continuamos com um outro projeto de sucesso da produtora, que é o Shakespeare nas praças, que levou a apresentação de Sonho de uma noite de verão para praças públicas de Curitiba, São Paulo e todas as regiões administrativas da cidade do Rio de Janeiro, bem como a seus municípios limítrofes, sempre através de programas de fomento como FUNARTE, Circuito Estadual das Artes, FATE, Programa de Fomento à Cultura Carioca, dentre outros. E em 2014, colocamos em prática essa ideia de ocupação de um espaço público, de um equipamento teatral, no caso, o Teatro Glauce Rocha, através do edital de ocupação da FUNARTE/2014. De lá pra cá, surgiu a possibilidade de participar da licitação para residência artística dos teatros da Prefeitura do Rio de Janeiro. Iniciamos em março de 2016. O Quinze: Quanto tempo levou todo o processo? RS: O projeto de ocupação foi idealizado em 2012. De lá pra cá, foi amadurecendo e sendo desenvolvido, com toda experiência e conhecimento das atividades que envolvem o fazer teatral de uma vida inteira, melhor, de duas vidas inteiras, minha e de Monique, diretora artística dos projetos da Opsis,…

Entrevista com Antonio Pitanga

Nascido em 13 de junho de 1939 na cidade de Salvador, Bahia, o ator Antonio Luiz Sampaio passou a se chamar Antonio Pitanga em 1960, após o grande sucesso de seu personagem no longa dirigido por Cacá Diegues, Bahia de Todos os Santos. Ex-vereador, ex-secretário de Estado e ex-primeiro "damo", como ele mesmo costuma se chamar, o pai dos atores Rocco e Camila Pitanga fala à revista O Quinze sobre vida, cinema, teatro e televisão e sua passagem pela política.   O Quinze: Qual a sua lembrança mais antiga? Antonio Pitanga: Oh, rapaz, a minha lembrança mais antiga por acaso aconteceu agora. São várias lembranças, na verdade, mas uma delas que, pra mim, ilumina a minha caminhada, é do Luiz Carlos Maciel, nosso pensador. Vi agora no Facebook que ele fez 79 anos ontem e eu estava mandando uma mensagem para ele, que vem a ser o meu primeiro diretor no teatro, na peça A morte de Bessie Smith. O Quinze: Isso foi em que ano? AP: Isso foi em 1959. São lembranças muito boas, importantes no meu crescimento. Há várias lembranças da infância e da juventude, mas eu quero citar essa, que está muito fresca, saudando o mestre que me fez subir ao palco para fazer o personagem principal dessa peça. O Quinze: Na Bahia? AP: Isso, na Escola de Teatro da Bahia, onde se formaram grandes nomes como Othon Bastos, Geraldo Del Rey, Sonia dos Humildes, que fez a Dadá em Deus e o diabo na terra do sol... é uma escola iluminada, que deu centenas de atores, diretores, iluminadores e cenógrafos. Uma boa lembrança para mim. O Quinze: Como foi sua infância? AP: Na Bahia, Salvador. Nasci no Pelourinho e me criei na rua Democratas. Fui de colégio interno, entre 11 e 15 anos, porque eu era muito peralta,…

Entrevista com Heitorzinho dos Prazeres

Único homem, de uma família com mais cinco irmãs, Heitor dos Prazeres Filho nasceu da união entre o velho Heitor dos Prazeres e a pastora Nativa. Dando continuidade à carreira artística do pai, "Heitorzinho" é cantor, compositor, sambista e pintor. Aos 74 anos, o entrevistado da segunda edição da Revista O Quinze abre suas portas para receber a nossa equipe e fala sobre sua vida, sua obra e as memórias de família que se misturam à história do samba e do Rio de Janeiro.   O Quinze: Qual a sua lembrança mais antiga? Heitorzinho dos Prazeres: Puxa vida, me lembro de eu ter uns quatro ou cinco anos de idade, num desfile de escola de samba na Praça Mauá. Meu pai enchia um caminhão com comida e bebida e levava a vizinhança toda para assistir aos desfiles. E lá ficávamos aguardando o evento. Eu gostava muito de sambar. Aos cinco anos de idade, eu já estava pelos palcos com ele sendo passista, ritmista do conjunto "Heitor dos Prazeres e sua gente". Me lembro que a turma se divertia muito nos dias de desfile, dançando, sambando em volta de uns garrafões. Os turistas gostavam de ver aquele menino sambarim fazendo aquelas evoluções todas. De lá pra cá, nunca mais parei de sambar. O Quinze: Samba até hoje? HP: Só agora depois de velho que parei. Não consigo mais. Hoje só fico no balanço do corpo. O Quinze: Tem saudade desse tempo? HP: Muita. É como eu digo: quando eu nasci, o meu primeiro choro foi acompanhado por cavaquinhos e violões, e eu dormia acariciado por pincéis, com cosquinhas nas palmas das mãos e dos pés, que é pra rimar. O Quinze: Então esse foi o seu primeiro contato com o samba, logo em seu nascimento? HP: Fui aparado por parteira. Depois ela…

Entrevista com Nei Lopes

Nei Braz Lopes, ou simplesmente Nei Lopes, é compositor de música popular, escritor e estudioso das culturas africanas, no continente de origem e na Diáspora. Nascido em 1942 no subúrbio do Rio de Janeiro, notabilizou-se como autor de sambas, principalmente pela parceria com Wilson Moreira. Definido como um “rapaz esforçado” pelo falecido sambista Geraldo Babão, Nei Lopes é a personalidade escolhida para abrir a coluna de entrevistas da Revista O Quinze. Boa leitura!   O Quinze: Qual a sua lembrança mais antiga? Nei Lopes: Lembro vagamente de minha mãe chorando e rezando diante de uma imagem de Nossa Senhora Aparecida que tínhamos em casa. O Quinze: Por que ela chorava e rezava? Nei Lopes: Pelo meu irmão Dayr (1918 - 2003), integrante da FEB na Itália. Esse irmão, aliás, acumulava dois apelidos de origem banto- africana, Noco e Sioca, ambos com o sentido de pequenez. E faço este parêntesis apenas para dar uma mostra da presença africana em minha família. Mas voltemos ao assunto. Eu ainda não tinha três anos, como compreendi depois. E não sei se minha mãe rezava agoniada com o destino do filho ou se agradecia pela sua volta para casa, são e salvo e trazendo de Roma uma benção do papa Pio XII, como ocorreu em 1945, ano em que completei três anos de idade. O Quinze: Então ela foi atendida pela Santa? Nei Lopes: Foi, sim, pois também lembro vagamente da festança que saudou a volta do Noco. As bandeirinhas verde-amarelas cobriram da entrada da rua até a nossa casa. Havia também um jovem vizinho homenageado. O Quinze: Como foi sua infância? Nei Lopes: Nasci no subúrbio carioca de Irajá. Na época, uma típica cidade do interior. Tinha grandes áreas verdes, fazendas, carros de boi, procissões e festas de igreja. Foi nesse ambiente, em uma…