Edição 29

15/05/2018

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terça-feira, 22 de maio de 2018
Educação

Reflexão sobre o papel do educador

Por Elisabete da Cruz*   Ainda estamos engatinhando para o verdadeiro sentido da palavra educação Aprendemos a falar e aprendemos a silenciar. Aprendemos a multiplicar, mas também a dividir Aprendemos a sorrir e a chorar A se desculpar e a voltar a errar A se orgulhar e a ter orgulho! Aprendemos a descobrir todos os dias um modo de viver melhor. As datas são marcos importantes para refletirmos, para aprendermos a silenciar nossas mentes sobre o verdadeiro sentido da vida, do nosso papel na sociedade, de alguma injustiça ou algo que possa levar a conscientização para o maior número de pessoas! E o aprender está em tudo que faz sentido! Ele nos conecta, nos une, nos faz crescer! A educação é isso, é esta certeza inconstante e ao mesmo tempo pulsante. Ainda estamos aprisionados em paredes, lousas, giz e papel! Ainda temos pessoas infelizes ensinando o outro a receita da felicidade.  Ainda estamos engatinhando para o verdadeiro sentido da palavra educação! Que este dia seja uma pausa para enxergarmos nosso papel de educador! Educador pai, educador avô, educador porteiro, educador cantineiro... Afinal, educação se faz pelo exemplo, pelo processo de melhoria contínua, pelo amor! Parabéns para nós!   *Elisabete da Cruz é educadora, autora, empresária e produtora executiva na área de projetos culturais, educativos e de entretenimento, envolvendo públicos de todas as idades.

O outro lado dos problemas

Muitos brasileiros do centro sul têm aprendido a conviver mais recentemente com um problema que os nordestinos conhecem há séculos – a escassez de água. Em algumas regiões, quando os reservatórios enchem vem a falsa sensação de abundância. Mas as mudanças climáticas e aumento da população vão trazer de volta a questão. Esquecem que a oferta de água depende também da educação do cidadão que deve adotar padrão austero de consumo. O problema da água tem duas pontas: hídrica e educacional. Todos os demais problemas e desafios do Brasil passam por duas pontas. O emprego só será criado se a economia fizer investimentos, mas bom emprego exige educação do candidato. O aumento da riqueza nacional depende do crescimento econômico, mas sem educação a produtividade não sobe e a pobreza social continua. E se a educação não for de qualidade para todos, a concentração da renda perdura. O desemprego, a pobreza e a concentração de renda são problemas com duas pontas. A educação é uma delas. A violência precisa ser enfrentada com polícia, justiça e cadeia. Mas só com educação para todos será possível oferecer a mesma oportunidade aos brasileiros. A corrupção será combatida com o fim do foro privilegiado, mas o mundo mostra que a corrupção cai substancialmente nos países onde eleitores têm boa educação. Todo problema tem duas pontas e uma delas é a educação. Nisto está a dificuldade: o problema da educação também tem duas pontas. A ponta dos educadores para fazer a escola ideal, e a ponta educacionista para construir todas as escolas com qualidade igual. E para cuidarmos do problema da educação, eleitores e eleitos precisam antes ser educados. Este paradoxo – para educar o Brasil é preciso que o Brasil já esteja educado - só será resolvido quando for eleito um presidente-estadista, educador do povo,…

Prisioneiros do presente

A TV Globo está promovendo uma campanha com depoimentos de brasileiros sobre o Brasil que eles querem. Todos esperam honestidade, saúde, educação. O eleitor quer um presidente capaz de vencer a corrupção, a violência, as desigualdades. Mas ninguém indica o caminho para isso. Nem os eleitores, nem os pré-candidatos a presidente apresentam propostas de como realizar os desejos dos brasileiros. Há um excesso de desejos e de candidatos, mas escassez de propostas. A população brasileira quer justiça social, mas ainda não percebe que ela não se constrói sobre economia ineficiente. A realização dos sonhos exige sacrifícios: limitar gastos conforme a arrecadação, controlar o crescimento da produção para não ferir o equilíbrio ecológico. A economia do futuro depende do conhecimento técnico e científico capaz de aumentar a produtividade e a criatividade. E não há como distribuir renda que não existe, nem como criá-la sem educação de qualidade para todos. Parece difícil entender que o aumento da renda nacional depende da educação de alto nível para aumentar a produtividade. Sem isso, não tem como distribuir renda. Infelizmente, os brasileiros não acreditam na ideia de fazer nosso país campeão em educação e em produção intelectual, nem que esse é o caminho para fazer o Brasil que queremos. Os candidatos e os eleitores têm identificação nos sonhos, mas sem limitá-los aos recursos disponíveis, fiscais e naturais, prometem ações sem calcular seus custos, não dizem como serão financiados. Ambos parecem ter sonhos para o futuro, mas se mostram prisioneiros do presente.

Improvisações seculares

Joaquim Nabuco disse que a Abolição seria incompleta se os escravos não recebessem terra para trabalhar e se os filhos não tivessem escola para estudar. Não deram atenção. Cem anos depois, Darcy Ribeiro disse que se o Brasil não construísse escolas teria de construir cadeias no futuro. Junto com o governador Leonel Brizola, Darcy criou um sistema estadual de escolas: os CIEPs. Mas não houve continuidade. Em 1990, Fernando Collor levou a ideia para o resto do Brasil com os CIACs. Depois do impeachment, a federalização foi abortada. A sociedade brasileira continuou a marcha na pobreza, violência, desigualdade, improvisando soluções, sem perceber que o problema está na ausência de um sistema nacional de educação. O futuro do povo tem a cara de sua escola. Hoje, cariocas apoiam a intervenção federal na segurança do estado. Com a urgência de cuidar do fuzil, desprezamos o lápis. Preferimos continuar nas improvisações seculares: abolição, república, desenvolvimento, democracia e segurança sem educação. Este ano teremos eleições e os candidatos não parecem conscientes do problema, nem interessados em resolvê-lo. Partidos boicotam seus candidatos que defendem a educação porque não dá voto. Poucos votam em quem propõe enfrentar fuzil também com lápis. Por isso, não há ouvidos para o que disse Nabuco ou Darcy, nem para a ex-senadora Heloísa Helena quando, mais recentemente, falou: “se adotarmos uma geração de brasileiros, eles depois adotarão o Brasil”.

Kit sobrevivência

O esgotamento do atual modelo político, social e econômico e o processo de desagregação que contamina o país exigem mais do que um plano de desenvolvimento: demandam um mapa para a sobrevivência nacional. Fundamental para isso é a recuperação da credibilidade de políticos e juízes, sobretudo com mudança de comportamento, com o fim de mordomias e do foro privilegiado. Outro item é o enfretamento da guerra civil, ou incivil, que o país sofre. O próximo presidente deve definir estratégias para fechar a fábrica de criminalidade, cuidando da manutenção do edifício da assistência social, baseado em transferência de renda. É dever ainda se comprometer com a responsabilidade fiscal porque não há justiça social sem economia eficiente. Na primeira eleição direta, em 1989, o mapa visava a reconstrução da democracia. Candidatos sem expressão eleitoral deram contribuição ao debate buscando um novo futuro. Roberto Freire, com pouco mais de 1% dos votos, inspirou a juventude brasileira. Em 2006, disputando com grandes nomes e partidos, o PDT lançou candidato e passou uma mensagem maior do que os 2,5% dos votos que teve. Agora, mais do que nunca, o Brasil precisa de um candidato que ofereça um kit sobrevivência, mas os líderes políticos decidiram sucumbir à popularidade dos candidatos, preocupados com resultados eleitorais.

Persistindo no erro

Nada surpreenderá mais os analistas futuros de história deste momento do que o fato de não ter sido feita até aqui nenhuma autocrítica por algum dos dirigentes do governo Lula e Dilma. Para o Brasil, mais importante do que aumentar a pena do ex-presidente Lula teria sido ele reconhecer os erros cometidos. Ampliar o tempo de prisão em nada vai mudar o Brasil. Mas ajudaria muito termos uma análise crítica por parte dos dirigentes do PT indicando onde erraram. Ainda que insistam que as condenações são injustas, é lamentável que não percebam que houve erros graves, que voltarão a se repetir se não houver um pedido de perdão ao país. Lula deveria reconhecer o equívoco da promiscuidade do governo com as empreiteiras e da nomeação de incompetentes e notórios suspeitos de corrupção para dirigir estatais. Também foi um erro a escolha de Temer para vice-presidente, duas vezes, para garantir eleição e reeleição da Dilma. O PT e seus dirigentes precisam autocriticar-se e pedir desculpas pela perda do vigor transformador que justificou seu crescimento. Ao perder esse vigor, o partido e seus dirigentes abandonaram suas bandeiras transformadoras, caíram no “compadrismo” na política e no assistencialismo social. No lugar do esperado choque no patrimonialismo, caiu no populismo, casamento infeliz entre o patrimonialismo burguês e sindical com o assistencialismo social. Exemplo disso é o tratamento eleitoreiro dado pelos governos Lula e Dilma à educação: relegou cuidados aos 13 milhões de analfabetos adultos para priorizar programas de acesso à universidade. Mais do que prisão dos corruptos, como determina a Lei, seria mais produtivo para o país contar com autocríticas e pedidos de perdão. José Dirceu, por exemplo, não fez delação premiada, mas foi incapaz de fazer uma autocrítica do desempenho de seu tempo no governo.