Edição 30

01/06/2018

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domingo, 19 de agosto de 2018

A vez dos índios no audiovisual

Se o Brasil atual fosse um gênero cinematográfico seria um faroeste: por aqui vale tudo e os indígenas fazem um papel coadjuvante em suas próprias terras. Em um cenário em que as leis de preservação ambiental são afrouxadas de modo a favorecer o agronegócio, em meio a uma melhora econômica débil, com a política caótica norteada pelos interesses de corruptos eleitos – investigados, mas agindo livremente -, eis que em meados de abril um grupo de indígenas chegou a Brasília para expressar seu descontentamento com a demarcação de suas terras. Pelo menos para mim, essa ida dos indígenas ao centro do poder brasileiro foi um marco. Eu ainda estava em Rio Branco, no Acre, com a família, e ao visitar a Saci Filmes para escrever esta coluna reforcei a ideia que o protagonismo indígena avança mesmo que todas as evidências digam que não é bem assim. Na verdade, se depender do audiovisual acreano, chegou a hora dos índios brasileiros contarem sua própria história sem que os brancos falem por eles. As mortes recentes de indígenas é uma faceta triste do retorno simbólico da questão indígena não apenas por seus raros defensores, mas pelos próprios índios. Com recursos provenientes do PRODAV (Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Audiovisual Brasileiro) e em processo de finalização, a série “Nokun Txai – Nossos Txais”, com direção de Sérgio de Carvalho, terá 13 episódios de 26 minutos e é o carro-chefe dessa ressignificação da identidade indígena acreana por meio do audiovisual. A série será exibida em todas as TVs públicas brasileiras entre 2017 e 2018. “A proposta que nos une é querer contar boas histórias daqui, todo lugar tem uma potência do narrar. O Acre tem uma coisa meio mística do Santo Daime, das encantarias. A ayahuasca e os índios têm um conhecimento pela oralidade.…

A economia no governo Temer

As reformas caminham, com alguns tropeços, mas seguem o seu curso. Há uma expectativa quanto à sua concretização. O mercado financeiro observa. Um simples adiamento na data de votação da proposta de reforma previdenciária fez a bolsa cair. Permanece em observação também o investidor externo e, ao que parece, só vai se fazer presente com força quando perceber que as reformas se concretizarão e o país demonstrar uma correção de rumos consistente,  independentemente do quadro político que permanece turbulento. Ações pontuais, como a dessa pseudo-greve, patrocinada por sindicalistas carentes por conta da desobrigação no pagamento do imposto sindical, onde não houve propriamente uma greve geral e sim um impedimento no “ir e vir” dos trabalhadores, só geram prejuízos no esforço de reversão do quadro caótico em que foi deixada a economia após o governo Dilma. A questão não é, e nem nunca foi, o Temer. Seu governo, independentemente de suas falhas, bem como a de muitos dos seus ministros, acertou em muitas coisas. É inegável que montou uma equipe econômica de qualidade e que está empreendendo um esforço notável no sentido da correção de rumos. Assim, hoje possuímos um renomado ministro da Economia, que aliás foi Presidente do Banco Central no governo Lula. A presidência do BNDES não poderia estar em melhores mãos, e não teremos sustos e nem notícias de que mais de R$ 100 bilhões em subsídios foram direcionados a meia dúzia de amigos do Rei. Um ex-diretor do Banco Central, competente e afinado na condução da política monetária está agora à frente da instituição. A inflação está em queda, o PIB mostra uma reversão e já podemos esperar por uma saída do quadro recessivo. Outro mérito do novo governo foi a percepção de que sua rejeição jamais lhe permitiria pensar (falta pouco para 2018) num governo de…

Computação na Nuvem… Será que vai chover Bits???

Antes de prosseguirmos, primeiro, como dizem os gestores modernos, vamos ficar na mesma página. Bits, de uma forma bem simplória, são informações de 0 ou 1 (ligado e desligado) que se propagam através dos circuitos eletrônicos e definem a linguagem de comunicação das máquinas. Ou seja, como informações são recebidas, armazenadas, processadas e transmitidas pelos computadores, entre eles e dentro deles. Voltando ao tema, eu diria que, dependendo do ponto de vista, podemos estar sob uma chuva de bits sim e por que não? Hoje em dia, bilhões de informações por segundo são trocadas no mundo através da internet e, boa parte dessas, transmitidas via satélite. Os bits estão viajando entre nós. E, nesse contexto, podemos estar sendo bombardeados por ondas eletromagnéticas e sob uma grande “tempestade” de bits? Como dizia o Obama em sua campanha presidencial: “Yes, we can!” Por sorte, aquelas são imperceptíveis e inofensivas para o ser humano, pelo menos até que provem o contrário. Mas que Raio de Nuvem é essa, ops!, digo “raio” no sentido figurado! Podemos entender que o conceito de nuvem vem da facilidade da informação, aplicação, solução ou processamento estarem disponíveis para acesso em qualquer lugar do planeta, a qualquer dia e qualquer hora, bastando para isso que você tenha uma conexão à internet. O conceito de soluções baseado em computação na nuvem amadureceu muito nos últimos anos e viabilizou uma série de inovações tecnológicas, não só para soluções do mundo corporativo, mas também para as pequenas empresas e usuários finais (nós, pobres mortais). Por exemplo, o One Drive da Microsoft e Google Drive da Google permitem aos usuários armazenarem Gigabytes de informações na nuvem. Assim, você pode colocar o seu celular, notebook e desktops sincronizando informações automaticamente com esses drives/serviços na nuvem e garantir a segurança de seus backups e/ou informações…

O racismo à flor da pele

Até tento não falar tanto da Netflix mas está complicado. Além do poderoso catálogo de filmes e séries, o canal de streaming não tem medo de se arriscar em suas produções originais: se “13 reasons why” provocou frisson ao falar abertamente de temas como bullying e suicídio; “Cara gente branca” (“Dear white people”), que teve a primeira temporada disponibilizada para os assinantes semana passada, levanta questões essenciais ao botar em pauta o racismo. A série se passa no campus da Winchester University, frequentada predominantemente por brancos mas com casas ocupadas exclusivamente por minorias de estudantes asiáticos e negros – os negros, por exemplo, não passam de pouco mais de 200 em toda a universidade. Nessa última, o caldeirão da tensão racial escondido – ou sufocado - pela hipocrisia de uma instituição e uma comunidade acadêmica que se considera pós-racial e arrojada por ter um reitor negro, transborda de vez com uma festa blackface – na qual brancos se “fantasiam” de negros e seus estereótipos - promovida por uma das fraternidades. O que obviamente provoca a indignação e fúria da comunidade de estudantes. A reação à festa dá início à série. Sam White, uma estudante birracial – algumas vezes negra demais para os brancos, outras branca demais para os negros - é uma ativista de sangue permanentemente fervente que joga na cara da comunidade acadêmica todos os preconceitos a que os negros estão sujeitos no campus por meio de seu programa de rádio “Dear white people”. A missão a que se impõe é de, por meio da exposição permanente das feridas ainda abertas e sangrentas do racismo, conseguir acabar com o preconceito por meio da igualdade efetiva de direitos. Sam, essa menina durona que respira revolução 24 horas por dia, é o motor da série que provoca as outras personagens ao…

Todo dia ela faz tudo sempre igual

“Todo dia ela faz tudo sempre igual Me sacode às seis horas da manhã Me sorri um sorriso pontual E me beija com a boca de hortelã” Cotidiano - Chico Buarque   Nas últimas semanas as coisas viraram de ponta cabeça, sabias? A mudança de casa, viagens, resfriado, febre, novos projetos, desilusões, expectativas, revisão de expectativas, sonhos, crianças, gatos, amigos, encontros e desencontros, nascimentos, despedidas, terapia, malas, caronas, piano, violão, chorinho, choros maiores, sorrisos, chá, sopa, pão, abraços. Dentro da impermanência ficamos buscando eixo no meio do caos e da nova ordem que vem junto. Acorda, bom dia, água e limão, dormiste bem?, lava o rosto, manga e couve? couve não! só por hoje sem couve, com gengibre; então linhaça, tá bom? ok, linhaça, e a tapioca de quê? metade, tou sem fome, QTO, com tofu, com o guacamole que sobrou do jantar, fazes o café?, pode colocar a mesa! que horas é a reunião? Transições são pontes entre lugares que fomos e onde ainda não estamos. Transições são afinal oportunidades de estar no momento presente, ocupada em lamber as próprias aventuras e desventuras de transcender, seguir e entender que nada nunca fica para sempre. Que nada é para nunca mais. Moíamos o café todos os dias, escolhíamos o grão. Fazias a tapioca, com a crosta que inventamos, tomate em fatias, temperos que vinham, e eu batia o suco, misturava a couve, o gengibre, a banana madura - ou sem couve, ou sem banana, com maracujá. Os pratos na porta do lado direito do armário, a frigideira pendurada na parede, a faca grudada no imã, a goma de tapioca da dona Sônia que vende na saída do metrô. Há duas semanas que não como tapioca. Nem vejo a dona Sônia. A Alana, com 5 anos, é quem agora me orienta…

UERJ: um berço de talentos no país e no exterior

A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) tem sido, ao longo de seus 66 anos de trajetória, um verdadeiro berço de talentos para o país e exterior. A UERJ é a 5ª melhor Universidade do Brasil e a 11ª da América Latina, segundo o ranking “Best Global Universities 2016”, avaliado através de indicadores que medem a performance nas áreas de pesquisa acadêmica, quantitativo de docentes premiados e reputação regional e global. Oferece em sua grade acadêmica 33 cursos de graduação, 54 de mestrado, 42 de doutorado, 142 de especialização, 623 projetos de extensão, intercâmbios e parcerias internacionais, e ainda dois centros médicos de atendimento e pesquisa: Hospital Universitário Pedro Ernesto e Policlínica Piquet Carneiro. Possui ainda em sua rede o Colégio de Aplicação, destacado no ENEM e respeitado entre as escolas públicas e privadas do Rio. Como complexo universitário de um inestimável patrimônio histórico e detentora de um capital intelectual inquestionável, a UERJ capitaliza a fama de ser um berço de talentos em várias áreas do conhecimento e carreiras profissionais, alcançando níveis de excelência. São 2.977 docentes, 4.519 funcionários técnico-administrativos e 32.220 estudantes que formam um corpo interligado. Uma comunidade que espelha a diversidade e a unidade do espírito público e republicano no Rio. Com essa larga reputação científica, a UERJ apresenta um potencial de geração de riqueza a partir de conhecimento aplicável gerado em suas atividades. Este movimento insere-se no modelo teórico da hélice tripla, no qual as relações entre Universidade – Governo – Empresa geram uma hélice crescente de desenvolvimento regional oriundo do fato de que o fluxo de conhecimento entre universidades e empresas leva a um ambiente de maior competitividade, através de produtos mais densos em conhecimento. Nesse contexto, a Universidade passa a ter um novo papel como ator de grande relevância no sistema regional…