Edição 29

15/05/2018

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terça-feira, 22 de maio de 2018
Economia

Brasil, o país das incertezas

Continuamos com dificuldades na economia e, conforme alertamos há muito tempo, este governo se arrasta melancolicamente para seu final, incapacitado de produzir algo, seja por ainda enfrentar denúncias, seja por estar o Congresso voltado para as eleições que se aproximam. Não há muito mais o que fazer, mas crescem os problemas a serem enfrentados. Não podemos deixar de mencionar, entretanto, que o quadro caótico recebido dos governos passados melhorou substancialmente. Estancou-se o processo recessivo, embora ainda não vislumbremos uma aceleração no desenvolvimento econômico. A inflação foi dominada, os juros caíram, mas foi só na Selic. Nos empréstimos bancários pouco mudou! Há ainda uma desconfiança muito grande dos empresários para alavancar a produção e contratar mais. A crise fiscal não ajuda! São muitas as incertezas, e estas afugentam os investimentos externos. Em todos os processos de deterioração econômica, a última variável a demonstrar queda é o emprego. O governo Dilma nos deixou um quadro de cerca de 13 milhões de desempregados, que só não existia nos seus discursos de campanha, recheados de mentiras e promessas que sabia não poder cumprir. Basta lembrar, por exemplo, do projeto do Trem-bala entre Rio de Janeiro e São Paulo! Impopularidade é muito ruim, ninguém defende, e partidários da Dilma se aproveitam e colocam o nível atual de desemprego na conta do Temer. Mais uma mentira ou desconhecimento dos fatos? Talvez o único acerto de Temer tenha sido a montagem de sua equipe econômica. Não interessa se foi ele diretamente que o fez. Ele nomeou as pessoas e deu suporte, embora, às vezes, tenha atrapalhado até um pouco, mas nada que interrompesse o processo de restauração dos melhores fundamentos econômicos, destruídos por uma ilusão, ou sei lá o quê, denominada Nova Matriz Econômica. Lembram? O quadro melhorou, mas há muito por fazer! Temer pode ter tido…

A derradeira chance da democracia

Não há como fugir ao tema. É preciso falar de política! O sistema chegou ao limite e a fala recente do Ministro Barroso do STF define muito da completa exaustão do caminho que se percorreu até o momento. Disse ele: “O Brasil viveu um pacto oligárquico de saque ao estado”. Não se trata mais de um partido, é muito mais! Não se trata mais de uma elite empresarial, é muito mais! Não se trata mais da falência do sistema político/jurídico, é muito mais! Não se trata de nomes, condenados ou não, é muito mais. O país teve três momentos em que caminhou após a redemocratização. O primeiro foi o próprio processo eleitoral, que conseguiu viabilizar eleições livres e gerou uma nova Constituição. Depois foi a viabilização da estabilidade da moeda. Ninguém acreditava que isso seria possível num regime democrático, mas o objetivo foi alcançado. Finalmente, conseguiu-se avançar no campo social com geração de empregos e alguma melhoria de vida para os mais pobres. Muitas falhas aconteceram e os meios foram confusos, ora sustentados por uma visão mais liberal, ora embasada numa trajetória populista e irresponsabilidade fiscal. Mas, ao que parece, em nenhum momento da nossa jornada o pacto a que se refere o Ministro deixou de prevalecer acima de qualquer interesse. Cabe reafirmar: não era um processo isolado, era sistêmico e retroalimentado. Então surgiu a Lava-Jato, viabilizada por uma conjuntura que associou a sorte à falta de atenção ao que estava se formando. Uma equipe altamente qualificada envolvendo Ministério Público, Polícia Federal e Judiciário desvendou grande parte do quadro de corrupção que assolava o país. Imaginava-se que a corrupção era grande e sistêmica, mas não se sabia o tamanho da coisa! Era enorme! O Sistema, é claro, reagiu e até o momento luta com todas as forças para se manter,…

A democracia, a liberdade e o futuro

Vamos ter que falar da Marielle! Assim como Anderson, seu motorista, foi mais uma pessoa a ser morta no cotidiano do Rio de Janeiro. Há uma verdadeira comoção por sua morte, assim como há também críticas a esse comportamento e diversas teorias sobre o que motivou sua execução. Essas mortes juntam-se a outras como a de pessoas, de todas as raízes, que são mortas pelos motivos mais fúteis possíveis, até por um simples celular. Somam-se também à de crianças por balas perdidas, ou achadas, como também de muitos policiais assassinados no seu trabalho ou apenas por ser policial. Já são incríveis 26 mortes de policiais neste ano. Mas a execução da Vereadora possui outra dimensão. Foram tiros certeiros na democracia! Vamos deixar de lado as questões partidárias, ou mesmo o fato de ser negra, ativista e mulher! O que mais choca é o fato e sua dimensão aparentemente política. Ela era atuante e estava no lugar certo, ou seja, na Câmara Municipal. E representava mais de 46 mil eleitores. Tinha uma ideologia e por ela lutava no fórum adequado. Buscou uma tribuna democrática e um mandato popular. Ela fez isso e foi executada! Queremos todos nos livrar dessa insegurança constante, amiga da corrupção e senhora do nosso destino! Ninguém aguenta mais! De certa forma, o ato atinge também a intervenção na área de segurança no Rio de Janeiro, isto no seu primeiro mês de atuação. Não temos mais liberdade para sair às ruas e temo que em breve não teremos mais liberdade de escolha de nossos políticos, pela simples razão de aqueles que gostaríamos que fossem eleitos não terem espaço ou mesmo vontade de se candidatar! Neste quarto aniversário da Lava-jato, o que vemos é uma divisão de recursos públicos para que este Congresso atual consiga perpetuar, ao menos, uns…

Segurança Pública

Pode-se falar que Temer foi oportunista com o decreto de intervenção na segurança pública, que há pretensões políticas ou mesmo a necessidade de desistir da reforma previdenciária sem passar por uma derrota no Congresso. O que não se pode é deixar de reconhecer que foi o primeiro governo, após a redemocratização do país, a encarar a difícil tarefa, sem ficar repetindo que se trata de assunto dos estados, como sempre foi mencionado por seus antecessores. Segurança Pública é um dos grandes temas que constituem anseios da população brasileira, juntamente com Educação, Saúde e Combate à Corrupção! Por sua relevância política e econômica, como também pela situação limite em que se encontra, o estado do Rio de Janeiro é destaque no processo de se viabilizar um projeto consistente de segurança. Mas não é fácil! São inúmeros os problemas, quase todos de difícil enfrentamento no curto prazo. Gasta-se muito em segurança, mas se gasta mal. Cerca de 90% dos recursos são carreados para folha de pagamento, e temos policiais ganhando pouco se considerarmos o que enfrentam em suas tarefas. Temos 9% direcionados à gestão e 1% para investimentos. Gastos em 2015 com Inteligência foi de R$ 15 mil e em 2016 foi zero. A esse quadro, precisamos juntar a crise fiscal, deterioração dos equipamentos e da moral, salários baixos, corrupção e fortalecimento cada vez maior das facções e milícias que dominam as comunidades. É o lado rico, estruturado e de dominação territorial e do comportamento dos moradores das áreas sob seu comando. É obedecer ou ser eliminado! De tudo isso, o fator “polícia” é apenas a ponta do problema (a mais evidente, pois todo dia é dia de notícia de mais um PM morto). O enfrentamento passa também pelas ações do judiciário e legislativo, leis inadequadas, o andamento e objetividade nas diversas…

O foco está nas eleições

Há um ano nascia O Quinze, parabéns a todos os envolvidos neste projeto! É sempre muito bom ver nascer e prosperar um novo veículo de informação e análise, abrangendo os mais diversos assuntos de importância para todos! Aqui no Rio de Janeiro, também comemoramos o término de mais um Carnaval, mas os bons tempos em que exaltávamos a alegria contagiante e a beleza do povo nas ruas, infelizmente acabaram! Hoje, esperamos apenas que, se possível, diminua um pouco o clima de guerra ocorrido durante a festa, onde observamos tiroteios, assaltos com espancamento e atropelamento, mortes estúpidas, saques em supermercados, arrastões e ausências do Prefeito e Governador na cidade que recebeu cerca de 1,5 milhão de turistas! O carnaval passou, e, como se diz, o ano vai começar, embora a esperança pareça ter sucumbido. Não há cenário otimista na política e, na economia, somente ações pontuais nos trazem algo de bom. O bom desempenho no controle da inflação e redução histórica dos juros indica-nos um bom caminho pela frente, mas esses benefícios ainda não chegaram concretamente e de maneira perceptível para a população, e o enorme problema fiscal, herdado do governo anterior, está longe de ser resolvido, e a melhor perspectiva para que se reverta a situação acena para 2020. O governo insiste no discurso de se levar a reforma da previdência à votação, mas se não há perspectivas para que tal aconteça, ao menos fica um cenário de que há governo atuante, embora já esteja sepulto. Impressiona o contingente de pessoas que são contra a reforma por acharem que ela não é necessária, bem como também os que pensam que é necessária, mas antes tem que se cobrar de devedores e reduzir os gastos abusivos com benesses absurdas para os três poderes da república! Certo, tudo isso, mas a reforma…

Os novos tempos possíveis sem Lula

As opções de Lula para escapar da prisão estão cada vez menores. Já condenado em segunda instância, pressuposto que pode levar qualquer um à prisão, e diante das portas fechadas para a tradicional saída através de recursos aos tribunais superiores, aqueles que chamou de acovardados em telefonema gravado, torna-se quase inevitável a sua prisão e, segundo as disposições da Lei da Ficha Limpa, já está inelegível. Assim, o cenário que se descortina para o futuro é o de uma eleição sem Lula. Para onde caminharão os 34/37% de eleitores que optaram por ele em recente pesquisa? Esta eleição será, sem dúvida, uma das mais incertas, porém de uma importância vital para o futuro do Brasil. Nunca o país precisou tanto de reformas, com destaque para a política, tributária e econômica. Há questões fundamentais a serem tratadas nas áreas de segurança, corrupção sistêmica, mordomias e benesses generalizadas nos três poderes, tamanho do estado, desenvolvimento econômico, desemprego, crise na saúde pública e na educação, obras, vitais ou não, paralisadas e gerando custos sem retorno, violência urbana saindo do controle, enfim, um manancial de problemas de difícil solução, muitos gerados por governos desastrados, que perduram e se perpetuam, aparentemente sem a percepção de nossos políticos, que parecem só se preocupar com a eleição próxima, o foro privilegiado e a Lava-jato! É bom que se ressalte que os problemas esparramam-se pelos Estados e Municípios e, em alguns casos, a crise está instalada e gerando consequências dramáticas! Precisamos então do novo! Um novo presidente e Governadores sem compromisso com a velha política. Uma nova política, é claro! Planejamento! Congresso renovado, forte e compromissado com o país! Reformas que o país necessita! Precisamos de um novo tempo sem Lula, e como seria bom se pudéssemos renovar também toda essa classe política e partidos, ambos desgastados com…