Edição 30

01/06/2018

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domingo, 19 de agosto de 2018
Economia

A pedra, a eleição e a justiça

Divulgados pelo Banco Central (IBC-Br) os números da economia de abril. Expansão de 0,46%, a primeira do ano! Mas no meio do caminho tem uma pedra, tem uma pedra no meio do caminho! Onze dias de greve dos caminhoneiros, gerando impactos desastrosos na economia, especialmente devido às interrupções logísticas e de abastecimento. O governo, que já não governa faz tempo, tratou do assunto com atraso e, enfraquecido por força de suas próprias mazelas, cedeu a tudo, até ao impossível, como é essa coisa estapafúrdia de se criar uma tabela de preços para o frete. A Fazenda diz que a tabela é anticoncorrencial, há quem insista na sua inconstitucionalidade. E no meio de toda essa confusão, o STF acaba por chamar para si a solução de um problema que, em tese, não deveria existir, até por ser inexequível. Isso é coisa para ser tratada pelo STF? Sobre a greve dos caminhoneiros, a maioria da população aprovou o movimento. Como pode? Apoiar algo que causou tantos prejuízos à sociedade? Rapidamente se percebeu que a população achava a greve justa, mas a culpa era do governo, dos políticos e dos corruptos. Mas, de tudo, restou uma conta para pagar, afinal inexiste subsídio grátis e se não aceitam mais impostos, como pagar? Ouvimos de tudo, reforma política, término das mordomias nos três poderes, fora Temer e cobrança dos desvios da corrupção. Como se isso tudo fosse algo que pudesse ser viabilizado no decurso de uma greve que, mesmo justa, prejudicou fortemente as pessoas, especialmente as mais pobres, doentes e que não puderam trabalhar para ganhar o sustento de suas famílias. Trocando em miúdos, os caminhoneiros reivindicaram subsídios, dinheiro público e preços tabelados, direcionando, portanto, a conta para outra parcela da sociedade. O povo precisa perceber que a melhor forma de se resolver a política…

A política na greve

O mês de maio termina junto com a greve dos caminhoneiros, mas junho começa com a demissão de Pedro Parente da Petrobras. Um novo tombo das ações da estatal na Bolsa de Valores determinou a suspensão da negociação de seus papéis. Abrem-se, novamente, as especulações sobre a política de preços da empresa. Se deve ter interferência política e atendimento aos anseios, escusos ou não, de pessoas descompromissadas com a empresa e que visam suas vantagens específicas. Só isso explica o fato de, após a empresa ter sido saqueada vorazmente e praticada uma política de preços que a penalizou com um prejuízo de cerca de US$ 60 bilhões, uma nova gestão tenha sido questionada apesar de ter reconduzido a empresa para o posto de a maior do país! Neste momento, deixou de ser! Esse quadro acontece logo após a greve dos caminhoneiros. Um movimento justo, pois após longo tempo tentando mostrar, a esse e a outros governos, a necessidade de se dar uma solução à dramática situação em que se encontravam, o governo ignorava suas aspirações. Mas uma greve longa como essa e num setor estratégico não poderia deixar de trazer consequências nefastas. Entretanto, o pior que poderia acontecer foi a politização do movimento, com uma mistura estapafúrdia de pauta de negociação com “fora Temer” e, inacreditavelmente, com intervenção militar e solução dos anseios de retirada dos políticos de cena e término das mordomias existentes nos poderes da República. Uma salada patética e inexequível. Talvez a única possível de ser conseguida, a saída do Temer, não teria efeito prático algum. Temer já não governa faz tempo, não mais tem poder. Sucumbiu às suas próprias fraquezas e às reuniões espúrias na calada da noite, ao “tem que manter isso viu?” e às denúncias que enfrentou gastando o seu cacife político! Como era…

Brasil, o país das incertezas

Continuamos com dificuldades na economia e, conforme alertamos há muito tempo, este governo se arrasta melancolicamente para seu final, incapacitado de produzir algo, seja por ainda enfrentar denúncias, seja por estar o Congresso voltado para as eleições que se aproximam. Não há muito mais o que fazer, mas crescem os problemas a serem enfrentados. Não podemos deixar de mencionar, entretanto, que o quadro caótico recebido dos governos passados melhorou substancialmente. Estancou-se o processo recessivo, embora ainda não vislumbremos uma aceleração no desenvolvimento econômico. A inflação foi dominada, os juros caíram, mas foi só na Selic. Nos empréstimos bancários pouco mudou! Há ainda uma desconfiança muito grande dos empresários para alavancar a produção e contratar mais. A crise fiscal não ajuda! São muitas as incertezas, e estas afugentam os investimentos externos. Em todos os processos de deterioração econômica, a última variável a demonstrar queda é o emprego. O governo Dilma nos deixou um quadro de cerca de 13 milhões de desempregados, que só não existia nos seus discursos de campanha, recheados de mentiras e promessas que sabia não poder cumprir. Basta lembrar, por exemplo, do projeto do Trem-bala entre Rio de Janeiro e São Paulo! Impopularidade é muito ruim, ninguém defende, e partidários da Dilma se aproveitam e colocam o nível atual de desemprego na conta do Temer. Mais uma mentira ou desconhecimento dos fatos? Talvez o único acerto de Temer tenha sido a montagem de sua equipe econômica. Não interessa se foi ele diretamente que o fez. Ele nomeou as pessoas e deu suporte, embora, às vezes, tenha atrapalhado até um pouco, mas nada que interrompesse o processo de restauração dos melhores fundamentos econômicos, destruídos por uma ilusão, ou sei lá o quê, denominada Nova Matriz Econômica. Lembram? O quadro melhorou, mas há muito por fazer! Temer pode ter tido…

A derradeira chance da democracia

Não há como fugir ao tema. É preciso falar de política! O sistema chegou ao limite e a fala recente do Ministro Barroso do STF define muito da completa exaustão do caminho que se percorreu até o momento. Disse ele: “O Brasil viveu um pacto oligárquico de saque ao estado”. Não se trata mais de um partido, é muito mais! Não se trata mais de uma elite empresarial, é muito mais! Não se trata mais da falência do sistema político/jurídico, é muito mais! Não se trata de nomes, condenados ou não, é muito mais. O país teve três momentos em que caminhou após a redemocratização. O primeiro foi o próprio processo eleitoral, que conseguiu viabilizar eleições livres e gerou uma nova Constituição. Depois foi a viabilização da estabilidade da moeda. Ninguém acreditava que isso seria possível num regime democrático, mas o objetivo foi alcançado. Finalmente, conseguiu-se avançar no campo social com geração de empregos e alguma melhoria de vida para os mais pobres. Muitas falhas aconteceram e os meios foram confusos, ora sustentados por uma visão mais liberal, ora embasada numa trajetória populista e irresponsabilidade fiscal. Mas, ao que parece, em nenhum momento da nossa jornada o pacto a que se refere o Ministro deixou de prevalecer acima de qualquer interesse. Cabe reafirmar: não era um processo isolado, era sistêmico e retroalimentado. Então surgiu a Lava-Jato, viabilizada por uma conjuntura que associou a sorte à falta de atenção ao que estava se formando. Uma equipe altamente qualificada envolvendo Ministério Público, Polícia Federal e Judiciário desvendou grande parte do quadro de corrupção que assolava o país. Imaginava-se que a corrupção era grande e sistêmica, mas não se sabia o tamanho da coisa! Era enorme! O Sistema, é claro, reagiu e até o momento luta com todas as forças para se manter,…

A democracia, a liberdade e o futuro

Vamos ter que falar da Marielle! Assim como Anderson, seu motorista, foi mais uma pessoa a ser morta no cotidiano do Rio de Janeiro. Há uma verdadeira comoção por sua morte, assim como há também críticas a esse comportamento e diversas teorias sobre o que motivou sua execução. Essas mortes juntam-se a outras como a de pessoas, de todas as raízes, que são mortas pelos motivos mais fúteis possíveis, até por um simples celular. Somam-se também à de crianças por balas perdidas, ou achadas, como também de muitos policiais assassinados no seu trabalho ou apenas por ser policial. Já são incríveis 26 mortes de policiais neste ano. Mas a execução da Vereadora possui outra dimensão. Foram tiros certeiros na democracia! Vamos deixar de lado as questões partidárias, ou mesmo o fato de ser negra, ativista e mulher! O que mais choca é o fato e sua dimensão aparentemente política. Ela era atuante e estava no lugar certo, ou seja, na Câmara Municipal. E representava mais de 46 mil eleitores. Tinha uma ideologia e por ela lutava no fórum adequado. Buscou uma tribuna democrática e um mandato popular. Ela fez isso e foi executada! Queremos todos nos livrar dessa insegurança constante, amiga da corrupção e senhora do nosso destino! Ninguém aguenta mais! De certa forma, o ato atinge também a intervenção na área de segurança no Rio de Janeiro, isto no seu primeiro mês de atuação. Não temos mais liberdade para sair às ruas e temo que em breve não teremos mais liberdade de escolha de nossos políticos, pela simples razão de aqueles que gostaríamos que fossem eleitos não terem espaço ou mesmo vontade de se candidatar! Neste quarto aniversário da Lava-jato, o que vemos é uma divisão de recursos públicos para que este Congresso atual consiga perpetuar, ao menos, uns…

Segurança Pública

Pode-se falar que Temer foi oportunista com o decreto de intervenção na segurança pública, que há pretensões políticas ou mesmo a necessidade de desistir da reforma previdenciária sem passar por uma derrota no Congresso. O que não se pode é deixar de reconhecer que foi o primeiro governo, após a redemocratização do país, a encarar a difícil tarefa, sem ficar repetindo que se trata de assunto dos estados, como sempre foi mencionado por seus antecessores. Segurança Pública é um dos grandes temas que constituem anseios da população brasileira, juntamente com Educação, Saúde e Combate à Corrupção! Por sua relevância política e econômica, como também pela situação limite em que se encontra, o estado do Rio de Janeiro é destaque no processo de se viabilizar um projeto consistente de segurança. Mas não é fácil! São inúmeros os problemas, quase todos de difícil enfrentamento no curto prazo. Gasta-se muito em segurança, mas se gasta mal. Cerca de 90% dos recursos são carreados para folha de pagamento, e temos policiais ganhando pouco se considerarmos o que enfrentam em suas tarefas. Temos 9% direcionados à gestão e 1% para investimentos. Gastos em 2015 com Inteligência foi de R$ 15 mil e em 2016 foi zero. A esse quadro, precisamos juntar a crise fiscal, deterioração dos equipamentos e da moral, salários baixos, corrupção e fortalecimento cada vez maior das facções e milícias que dominam as comunidades. É o lado rico, estruturado e de dominação territorial e do comportamento dos moradores das áreas sob seu comando. É obedecer ou ser eliminado! De tudo isso, o fator “polícia” é apenas a ponta do problema (a mais evidente, pois todo dia é dia de notícia de mais um PM morto). O enfrentamento passa também pelas ações do judiciário e legislativo, leis inadequadas, o andamento e objetividade nas diversas…