Edição 24

15/02/2018

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sábado, 24 de fevereiro de 2018
Economia

O foco está nas eleições

Há um ano nascia O Quinze, parabéns a todos os envolvidos neste projeto! É sempre muito bom ver nascer e prosperar um novo veículo de informação e análise, abrangendo os mais diversos assuntos de importância para todos! Aqui no Rio de Janeiro, também comemoramos o término de mais um Carnaval, mas os bons tempos em que exaltávamos a alegria contagiante e a beleza do povo nas ruas, infelizmente acabaram! Hoje, esperamos apenas que, se possível, diminua um pouco o clima de guerra ocorrido durante a festa, onde observamos tiroteios, assaltos com espancamento e atropelamento, mortes estúpidas, saques em supermercados, arrastões e ausências do Prefeito e Governador na cidade que recebeu cerca de 1,5 milhão de turistas! O carnaval passou, e, como se diz, o ano vai começar, embora a esperança pareça ter sucumbido. Não há cenário otimista na política e, na economia, somente ações pontuais nos trazem algo de bom. O bom desempenho no controle da inflação e redução histórica dos juros indica-nos um bom caminho pela frente, mas esses benefícios ainda não chegaram concretamente e de maneira perceptível para a população, e o enorme problema fiscal, herdado do governo anterior, está longe de ser resolvido, e a melhor perspectiva para que se reverta a situação acena para 2020. O governo insiste no discurso de se levar a reforma da previdência à votação, mas se não há perspectivas para que tal aconteça, ao menos fica um cenário de que há governo atuante, embora já esteja sepulto. Impressiona o contingente de pessoas que são contra a reforma por acharem que ela não é necessária, bem como também os que pensam que é necessária, mas antes tem que se cobrar de devedores e reduzir os gastos abusivos com benesses absurdas para os três poderes da república! Certo, tudo isso, mas a reforma…

Os novos tempos possíveis sem Lula

As opções de Lula para escapar da prisão estão cada vez menores. Já condenado em segunda instância, pressuposto que pode levar qualquer um à prisão, e diante das portas fechadas para a tradicional saída através de recursos aos tribunais superiores, aqueles que chamou de acovardados em telefonema gravado, torna-se quase inevitável a sua prisão e, segundo as disposições da Lei da Ficha Limpa, já está inelegível. Assim, o cenário que se descortina para o futuro é o de uma eleição sem Lula. Para onde caminharão os 34/37% de eleitores que optaram por ele em recente pesquisa? Esta eleição será, sem dúvida, uma das mais incertas, porém de uma importância vital para o futuro do Brasil. Nunca o país precisou tanto de reformas, com destaque para a política, tributária e econômica. Há questões fundamentais a serem tratadas nas áreas de segurança, corrupção sistêmica, mordomias e benesses generalizadas nos três poderes, tamanho do estado, desenvolvimento econômico, desemprego, crise na saúde pública e na educação, obras, vitais ou não, paralisadas e gerando custos sem retorno, violência urbana saindo do controle, enfim, um manancial de problemas de difícil solução, muitos gerados por governos desastrados, que perduram e se perpetuam, aparentemente sem a percepção de nossos políticos, que parecem só se preocupar com a eleição próxima, o foro privilegiado e a Lava-jato! É bom que se ressalte que os problemas esparramam-se pelos Estados e Municípios e, em alguns casos, a crise está instalada e gerando consequências dramáticas! Precisamos então do novo! Um novo presidente e Governadores sem compromisso com a velha política. Uma nova política, é claro! Planejamento! Congresso renovado, forte e compromissado com o país! Reformas que o país necessita! Precisamos de um novo tempo sem Lula, e como seria bom se pudéssemos renovar também toda essa classe política e partidos, ambos desgastados com…

A metrópole tem futuro

Por Vicente Loureiro* Em tempos de grave crise econômica, fiscal e política, como vivemos no país, e em particular, no Estado do Rio, fica difícil fazer as pessoas acreditarem que as coisas vão melhorar e que, em um futuro não muito distante, voltaremos a dirigir melhor nossos passos na direção do desenvolvimento mais justo e equânime. Falamos, especialmente, da região metropolitana do Rio, com seus 21 municípios e mais de 12 milhões de habitantes. Ter abandonado a gestão compartilhada dos assuntos de interesse comum, presentes na vida metropolitana, para uma gestão por projetos setoriais e especializados gerou melhorias, é verdade, mas deixou sequelas. Reforçou a exclusão e acentuou a distância entre os padrões de qualidade de vida oferecidos à população. Temos, dentro dos limites metropolitanos, os piores e os melhores índices de desenvolvimento humano (IDH) do Brasil. Um modelo concentrador de renda e de oportunidade não acontece só nas relações econômicas. Ele rebate-se com a mesma perversidade no território. E o da nossa região metropolitana confirma e recalca tal segregação. Estamos perto de ver concluído, pela primeira vez, um Plano Diretor, destinado a orientar o desenvolvimento urbano de modo integrado para a região. Isso significa dizer o que precisa e o que deve ser feito para mudar o modo de fazer ou refazer a metrópole, distinto do adotado e vigente nas últimas décadas, um modelo concentrador de oportunidades e de qualidade de vida com pedaços privilegiados do território, numa periferia marcada por urbanização precária e acumuladora de passivos urbanísticos, sociais e ambientais. É, portanto, necessário e é preciso, se possível, mudar este jeito de produzir e reproduzir a metrópole. E até agora a principal diretriz do Plano, em elaboração, é mudar para melhorar, e não continuar perseguindo melhorias aqui e acolá e continuar acreditando que assim se mudará as condições…

O ajuste fiscal, a reforma e a eleição

Entra no seu último ano o “não governo” do presidente Temer! Como mencionado há algum tempo, estamos vivendo tempos parecidos com o final do governo Sarney. No caso atual, temos um governante enfraquecido por ter exaurido toda sua força para escapar de duas denúncias emanadas do MPF. Quando um poder se esvai, outro ocupa o espaço. É o que aconteceu agora como, por exemplo, no impasse existente na nomeação para o Ministério do Trabalho. É uma pena, afinal, depois de todo aquele estelionato eleitoral da ex-presidente Dilma para se reeleger, e da penúria em que deixou o país, traduzida na maior crise fiscal de sua existência, poderia ter sido o condutor da restauração política do país, das reformas necessárias, da condução correta da economia e do resgate da dignidade de um povo tão sofrido como o nosso. Gastou seu cacife político para se salvar e não conseguiu o apoio necessário para implementar as reformas que o país carece. Afinal, as reformas estruturais são as mais difíceis de se concretizarem, dada a forte resistência da sociedade, ainda mais quando esta rejeita um presidente sem voto, sem equipe confiável, exceto a econômica, e não confia num Congresso recheado de políticos encrencados com a Lava-Jato! A agenda fiscal ficou comprometida, pois o governo, além de enfrentar dificuldades na Reforma da Previdência, não conseguiu tocar os outros itens, como o adiamento do reajuste do funcionalismo, re-oneração da folha de pagamentos e aumento da taxação de fundos exclusivos. Por outro lado, a arrecadação melhorou, 2017 parece que vai fechar com déficit em torno de 129 bilhões, quando a meta era de 157 bilhões, a inflação esperada era de 3,5% e fechou em 2,07%, gerando um impacto positivo de uns 7 bilhões. Então, pode-se afirmar que a gestão orçamentária de 2018 começou melhor do que a…

O Trump do Século

Por Fábio Caiado* Atrevo-me aqui a escrever sobre um personagem bastante controverso: Donald Trump. Desde sua candidatura à presidência do EUA até hoje, é um dos nomes mais lidos nos noticiários do mundo. Amplamente criticado pela imprensa, Trump está finalmente dizendo ao que veio com a recente aprovação da sua Reforma Tributária. Vamos ao histórico, às ideias e aos fatos. O histórico de sua candidatura é tão controverso quanto ele. No início, quando surgiram os primeiros rumores da candidatura, o mundo literalmente riu disso. Virou piada. Ninguém levou a sério, e no momento seguinte ele estava pré-candidato. Continuou totalmente desacreditado, porém crescendo nas pesquisas. Tornou-se o candidato escolhido pelo seu partido e iniciou uma campanha com uma série de pontos falhos e controversos. Seu jeito apolítico sincero, de quem diz o que pensa, é péssimo em uma campanha presidencial. E ele estava disputando contra a sucessão do todo poderoso Obama, o primeiro presidente negro que militava então para a primeira presidente mulher, tendo a seu favor as altíssimas taxas de aprovação do seu governo. Obama conseguiu o que muitos consideravam impossível: perder as eleições. O mundo ainda não se recuperou dessa derrota nas eleições americanas. A reviravolta marcou e transformou o primeiro quarto deste século. Recentemente, uma pesquisa apontou entre 91 e 93% de citações negativas sobre Trump na imprensa - ele é literalmente massacrado diariamente por tudo que é publicado pelos americanos. Entre os formadores de opinião foi igualmente detonado. Até a melhor atriz do mundo atual, Meryl Streep, se dedicou a tal repulsa. Mas isso tem explicação. Antes de entender o Trump, precisamos entender o Obama e nossas aspirações de classe média. Por que classe média? Porque somos nós as pessoas que escrevem para veículos de comunicação e espalham suas ideias. Há muito que a imprensa não pertence…

As reformas e a reconstrução do país

O ano vai chegando ao fim e o governo Temer também. Há um caminho ainda a percorrer, mas o que se observa é um esforço para, se possível, aprovar uma reforma previdenciária capenga, mas oportuna se considerarmos o efeito de parecer que há governo atuante. Tanto é que, ainda hoje e depois de descaracterizar a proposta inicial, o governo está negociando novas concessões para tentar aprovar a reforma. Resta saber, caso aconteça a aprovação, se sobrará algo a ser comemorado pela equipe econômica! Devemos reconhecer que não foi fácil para o presidente governar sem voto, com a pecha de golpista e com o ônus de arrumar uma economia totalmente destruída pela incompetência estrondosa do governo que saía. Como pano de fundo, ainda, tendo que combater a admissibilidade de ser investigado em duas denúncias oriundas do Ministério Público Federal. Ciente de sua condição e de sua impopularidade, optou, acertadamente, em se tornar um presidente reformista, fato que não lhe asseguraria nenhuma popularidade, mas uma marca de seu governo que, afinal, poderia vir a ser reconhecido como o que promoveu as reformas de que tanto necessitava o país! Montou uma competente equipe econômica, outro acerto, que arrumou a casa e buscou resolver o grave problema fiscal do país mediante a viabilização das reformas. Não contava, entretanto, com as duas denúncias. Assim, todo o esforço antes concentrado para realizar as reformas, foi direcionado para obstar a possibilidade de investigação. Perdeu-se tempo precioso e, pior, força política para o que se propunha. Assim, conseguiu apenas aprovar uma reforma trabalhista limitada e com algumas questões mal formuladas, mas já foi um avanço. Parou aí! As denúncias vieram no ápice das discussões envolvendo a reforma da previdência. Como se caminhar com o assunto diante de tudo que aconteceu para “salvar” o presidente? Passada essa turbulência, não…