Edição 19

15/11/2017

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quarta-feira, 22 de novembro de 2017
Cultura

A história de todos nós

Um problema que tenho por ser apaixonado por seriados é de que é impossível assistir a todos eles. Nas últimas décadas, o investimento nesse formato cresceu imensamente e eu diria que é praticamente impossível acompanhar todos os lançamentos...e eu diria que seria muito difícil mesmo que você só vivesse para isso – leia-se: tivesse uma vida materialmente estável que não te obrigasse a ganhar o pão nosso de cada dia. Aqui, tento escolher algumas séries que acho bem bacanas – e algumas bombas, para manter o espírito crítico afiado – muitas delas passando longe do lugar-comum do que se espera de um seriemaníaco. Evito, por exemplo, escrever sobre a segunda temporada de “Stranger Things” ou da penúltima de “Game of Thrones” – ambas muito boas e com novas temporadas que, no geral, mantiveram o bom nível dos programas. Quero as surpresas, as pérolas e algumas bizarrices, claro! Nessa coluna, escrevo sobre uma série pela qual estou apaixonado – minha nova pérola. This is us: Uma belezinha que passa no Fox Life. Conta a história de três irmãos, Kate, Kevin e Randall. Os primeiros são irmãos gêmeos, originalmente de uma gravidez de trigêmeos. O terceiro bebê não resistira e falecera. Seus pais, Jack e Rebecca, determinados a completar o trio em torno do qual estruturaram seus planos, resolvem adotar Randall, um bebê negro nascido no mesmo dia e abandonado pelo pai no Corpo de Bombeiros. Aqui acompanhamos a série simultaneamente em dois tempos. Jack e Rebecca com as crianças pequenas no passado, e o trio, já adulto, no presente. Com essa estrutura, podemos entender que quase tudo o que acontece na vida dos irmãos hoje foi consequência das decisões de seus pais no passado. Então, de fato, acompanhamos a história de cinco indivíduos que, juntos, formam uma família. O pai, Jack,…

Movimenta, Pernambuco!

Por Rita Fernandes Uma nova força sonora ecoa em Pernambuco. São sons que vêm da terra, das influências do Agreste, da Zona da Mata, das cantorias do dia a dia, carregados ao mesmo tempo de contemporaneidades temáticas e harmônicas. Se na década de 1990 o movimento da geração de Fred Zero Quatro e de Chico Science definiu uma nova cena musical com o manguebeat, hoje os jovens artistas pernambucanos desse caldeirão multicultural preferem falar em uma nova “movimentação”. São artistas de diferentes estilos, vindos de regiões como Caruaru, Arcoverde, Goiana, Carpina, Olinda e Recife, que se juntam em pequenos espaços musicais da cidade, como Casa do Cachorro Preto e Creperia, e que se articulam principalmente nas casas uns dos outros. Foi por essa rede que a tal “movimentação” acabou ganhando forma e força, especialmente na sala da casa de Juliano Holanda, que abriga a maior parte dos encontros musicais. [caption id="attachment_3426" align="alignleft" width="300"] A cantora Isadora Melo. Foto: Rodrigo Ramos[/caption] “Pernambuco está borbulhando de artistas novos, com um talento absurdo”, diz o produtor do Palco Sunset do Rock in Rio, Zé Ricardo, responsável por levar Almério, Spok e Banda de Pífano Zé do Estado na última edição do megaevento de música. Mas a lista é longa, com nomes como Isadora Melo, Thiago Martins, Isabela Moraes, Marcello Rangel, Vinicius Barros, Ylana Queiroga, Thulio Oliveira, Juvenil Silva, Junior Black, Igor de Carvalho, Flaira Ferro, Aninha Martins, Gabi da Pele Preta, Barro, Vertinho Moura. O resultado dessa interseção de micro regionalidades é uma vitalidade criativa marcada especialmente por uma safra de trabalhos que têm privilegiado a palavra, a poética e o verso. “É como parar para vestir as canções, dar atenção às letras”, diz Isadora Melo. “O que marca a diferença dessa nova geração é que está acontecendo uma troca intensa, onde um…

A cultura na tela do CineAmazônia

Quando retorno ao Norte, minha memória dispara. Há anos não voltava a Rondônia, por onde passei muitas vezes durante a infância e a adolescência, quando viajava com minha família do Acre a São Paulo, para visitar parentes, fazer compras ou tratamentos de saúde. Mas já não me lembrava de muita coisa de Porto Velho e por isso gostei tanto do convite para ser jurado do Cine Amazônia – Festival de Cinema Ambiental, entre os dias 17 e 21 de outubro passado, a convite dos produtores Fernanda Kopanakis e Jurandir Costa, que há 15 anos organizam o festival. Em contraste com a exuberância da floresta, desde a marcação das passagens (e consequente remarcação, por duas vezes, da Latam), o descaso com que a Amazônia é tratada mostrou que continua a prevalecer. A persistência que envolve um evento cultural como o CineAmazônia, no entanto, me levou a perceber que, mesmo em meio às muitas dificuldades de realização, o festival é como um barco vigoroso que mantém seu curso em meio às tormentas e secas que atravessam seu caminho. Em 2015, uma enchente histórica do rio Madeira alagou Porto Velho por mais de um mês, deixando um lastro de destruição, que contrasta com a secura que aumenta a cada ano. Ao constatar a efervescência do festival no Sesc Esplanada – que lota suas sessões principalmente com estudantes –, pensei em como o ato de produzir filmes, exibi-los, além de fomentar o debate sobre literatura, é uma das atividades mais promissoras para quem pensa o futuro de uma das regiões mais ricas do Brasil, mesmo que o presente e o passado digam não. Além da exibição de filmes e prêmios para as produções locais, a décima-quinta edição do festival promoveu o encontro de estudantes com os escritores Ronaldo Correia de Brito e José Inácio…

Entre Halloween e Dia de Finados só um papo mórbido é possível!

Há cerca de quinze dias, uma notícia sobre uma empresa que transforma cinzas em discos de vinil apareceu pela internet. Eu, que nunca pensei muito no que aconteceriam com meus restos mortais (menos os órgãos, esses eu quero doar), encontrei o destino pra eles: vão ser enviados para And Vinyly transformá-los na minha essência: música. Realizado pelo escultor Jason Leach, o serviço custa entre R$3,6 mil e R$12,2 mil. Não é a forma mais barata de se eternizar, mas é uma das mais legais, concordam? A playlist de hoje vem com as músicas que estarão no vinil feito com as minhas cinzas. Mas, sem choro nem vela! É só música animada! Apertem o play!  

Com o compromisso de formar verdadeiros leitores

Essa edição, peço licença para mudar o assunto da coluna. No lugar de séries e filmes, quero escrever sobre um evento muito bacana do qual participei no último fim de semana de outubro. Vamos ao texto! A Festa Literária de Paraty (FLIP), no Sul Fluminense, cuja primeira edição aconteceu em 2003, consolidou no país o modelo de um evento bem-sucedido, que tem aproximado cada vez mais a literatura – em suas mais variadas formas, gêneros e suportes – das pessoas, estimulando a possibilidade de criação de uma rede de novos leitores. Esse é o grande mérito da FLIP: a democratização da paixão pela leitura e sua transformação em uma forma de consumo mais popular. Seu modelo tem sido replicado no país inteiro desde então. E uma de suas irmãs mais novas é a Festa Literária de Nova Friburgo, a FLINF, na serra do Estado do Rio. [caption id="attachment_3392" align="alignleft" width="300"] A professora Eliana Yunes e Marina Colasanti – homenageada da festa literária[/caption] A cidade serrana, conhecida pela produção de roupas íntimas e, mais recentemente, por abrigar boas produtoras de cervejas artesanais, teve sua autoestima abalada com a tragédia das chuvas que caíram na região em 2011, considerada a maior tragédia climática da história do país, com mais de 500 mortes nas quatro cidades atingidas: além de Friburgo, Teresópolis, Petrópolis e Sumidouro. Para piorar, no mesmo ano, o prefeito da cidade foi afastado por conta de denúncias que indicavam o desvio das verbas dedicadas à recuperação do município. Friburgo tem uma história cultural riquíssima. De colonização suíça, completa 200 anos em 2018. Sem me alongar muito, foi lá, por exemplo, que aconteceu o primeiro concerto de Villa-Lobos, em 1915. Lygia Pape, um dos grandes nomes das artes brasileiras - ela foi criadora da identidade visual dos biscoitos Piraquê, seu trabalho mais…

Playlist – Road to Nowhere

Pegar a estrada com o rádio desligado simplesmente não dá. Tem o trânsito, a ansiedade, a tensão, o tédio e tantos outros fatores que provam que em qualquer situação sem música a vida é um erro. A playlist dessa edição traz Quinze músicas para serem ouvidas atrás do volante, do guidom da moto ou mesmo no banco do carona ou do ônibus. Apertem os cintos, abaixem as agulhas e aproveitem!