quinta-feira, 21 de setembro de 2017
Cultura

Adaptações e inspirações

Adaptar uma obra não é simples. É preciso captar a essência daquilo que se quer transpor para a linguagem escolhida. Essa essência deve ser materializada num roteiro bem amarrado, buscando eventuais liberdades autorais dentro daquilo que se pretende. Afinal, nem sempre uma boa adaptação é a transposição literal do original. Unir a inspiração daquilo em que se bebe dando um toque de autenticidade é uma equação complexa. E poucas vezes se acerta. Num fim de semana com muito resfriado assisti na Netflix a “Death Note”, filme adaptado de uma série de anime/mangá, e à série “O nevoeiro” (“The mist”, no original), adaptação de um conto de Stephen King, que também teve um filme muito bacana lançado em 2008. Vamos a eles:   Death Note: o filme, uma produção original da Netflix, é o mais novo produto adaptado da série de mangá escrita por Tsugumi Ohba entre 2003 e 2006. Na história, o estudante do Ensino Médio Light Yagamani descobre um caderno mágico, o Death Note, ou Caderno da Morte. O nome não é à toa: quem tiver o nome escrito nesse caderno morre. E Light se vê, de uma hora para a outra, com poder de vida e morte sobre as pessoas. Basta ele saber o nome e conhecer o rosto de sua vítima para que ela morra de acordo com o que foi escrito. O estudante tem planos para seu novo poder: acabar com toda a maldade no mundo. Portanto, começa matando todos os criminosos e quem mais julga ser do mal, no qual acaba tendo apoio de parte da opinião pública e ganha a alcunha de Kira (Killer/assassino, em japonês). Para orientá-lo, conta com a ajuda de um shinigami, um deus da morte da cultura japonesa, chamado Ryuk. Originalmente dono do caderno, ele diz para Light que deixou…

Amor Segundo Cazuza

Amor é coisa para se falar todo dia. Ninguém tem que esperar aniversário de casamento ou dia dos namorados para dizer que ama o outro - namoradx, amigx, parente, crush, pet, quem ou o que quer que seja. Cazuza, maior letrista de canções de amor de sua geração, soube falar de todas as faces desse sentimento. Passa pela paixonite, o desespero, a fase em que se ama tanto o outro que se esquece do amor próprio. Não só isso, o carioca era grande sedutor e escreveu versos que são tiro e queda para usar na hora do flerte. Renato Russo perguntou em uma de suas músicas quem inventou o amor. Cazuza certamente não foi o Professor Pardal do sentimento, mas soube traduzir o amor como poucos. Então apertem play e conheçam o Amor Segundo Cazuza:

Eu sou assim

Para mim, qualquer expressão de arte implica também em responsabilidade. Entreter é uma de suas funções, claro, mas acredito que fazer arte é, acima de tudo, um ato político. Um fazer cidadão. Por meio dela, são despertadas questões e discussões na abordagem de toda sorte de temas que pudermos imaginar: combate à violência, dependência química, cidadania e direitos humanos, proteção de “minorias” discriminadas – implico com o termo minoria. Afinal, os grupos socialmente alvos de preconceito estão longe de ser poucos e pequenos. Nesse mês, tive o prazer de assistir a duas estreias muito bacanas que abordam temas ligados a uma dessas “minorias”: a das pessoas especiais. Uma, “Atypical”, uma série de comédia dramática da Netflix – pródiga em produzir um bom material “dedo na ferida” sobre temas barra pesada como suicídio (“13 Reasons Why”) e racismo (“Cara gente branca”), já escrevi sobre ambos aqui n´O Quinze – sobre um garoto portador de autismo. A outra, “Eu sou assim”, que dá título à coluna dessa semana, série documental que estreou no GNT.   Atypical: a primeira temporada da série conta a história de Sam Gardner, jovem portador de autismo que, aos 18 anos, mostra seus primeiros sinais de independência ao querer namorar, sair e se divertir. Seu desejo de se emancipar causa um choque na família que viveu a vida inteira em função do rapaz. E funciona como o estopim de diversas reações em cadeia que sua decisão provoca. O autismo é uma condição permanente e reúne um grupo de desordens complexas do desenvolvimento do cérebro, caracterizado pela dificuldade na comunicação social e por comportamentos repetitivos, com intensidades diferentes para cada caso. Sam, por exemplo, tem sensibilidade sensorial aguçada, respondendo de forma muito contundente a estímulos visuais e sonoros. Tem dificuldade de entender metáforas e outras figuras de linguagem, tendo…

A nuvem iluminada da Abralic

Depois de uma semana participando do XV Congresso Internacional da Abralic (Associação Brasileira de Literatura Comparada), na UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), no qual apresentei uma comunicação sobre a relação da escrita íntima e a poética de Ana Cristina Cesar, muitas questões permanecem na minha mente tanto sobre literatura quanto sobre o cenário do evento e o espírito do tempo em que vivemos. Há duas semanas estive na FLIP (Feira Literária Internacional de Paraty) e o debate também foi intenso, engajado mas descontraído, em meio à bela paisagem e o casario colonial. No Rio de Janeiro, a tranquilidade é constantemente adiada. Na Abralic, sob o tema geral “Textualidades contemporâneas”, estivemos todos à frente das trincheiras da crise política e econômica brasileira. O desconforto era evidente: como a UERJ vai resistir à sangria econômica que a paralisa com a falta de repasses do governo estadual? Na verdade, com tantos problemas expostos no último ano e agora com a realização da Abralic, penso que a conturbada manutenção da UERJ ganhou projeção internacional e a procura por um modelo de gestão mais eficiente deve ser a preocupação de todos, a começar do Estado que consta em seu nome. Durante esta semana, logo após a Abralic, com a reunião de parlamentares na UERJ, surgiu a proposta de uma PEC que pode garantir a autonomia da universidade, mas ainda há um longo caminho para que isso seja viabilizado. A questão da relação entre a literatura e a crítica não tem nada de novo e foi pano de fundo de tantos outros pontos que surgiram durante o simpósio do qual fiz parte, “Poesia Contemporânea: Crítica e Transdisciplinaridade”, coordenado pelos professores Leonardo Davino (UERJ) e Carlos Augusto Bonifácio Leite (UFRGS). Um dos pontos de debate foi questionar se a poesia é (ou continua a…

Pai Grande – Playlist de dia dos pais

Era muito comum na época em que as fitas K7 reinavam nos aparelhos de som a criação de coletâneas com vários artistas em uma mesma fitinha. Eram ótimos presentes para aniversários e ocasiões especiais, sem contar que era o jeito de ouvir vários artistas diferentes sem precisar andar com uma mochila cheia de tapes além do walkman a tira colo. De uma forma mais moderna, mas com o mesmo intuito surge essa coluna. Aqui pretendo criar playlists de quinze músicas misturando diversas canções com um mesmo tema. Para a primeira, trago uma lista de dia dos pais. Em Pai Grande misturo músicas sobre pais, filhos, além de músicas que meu amado pai se amarra e outras que não saem da minha vitrola e boto pra tocar na dele. Um feliz dia para todos os papais, em especial para o meu. Salve Jorge!    

Sobre patinhos feios, canais de TV e bares

Agosto é uma animação só: tem séries novas e novas temporadas estreando por todos os cantos. Mas não vou falar de nenhuma delas aqui. A coluna dessa semana está um pouco magra. Estou aguardando algumas séries, como a primeira temporada de Os Defensores, na Netflix, estrear. Então, não será uma coluna sobre aquelas séries mais aguardadas. Mas vou recomendar aqui algumas que são aqueles patinhos feios, meio óbvias mas que considero bacanas, e uns canais e programas de TV que são bem legais de se assistir quando a gente se livra de uma maratona intensa de trabalho e precisa descansar. Ah, e para encerrar, um bar bacana. A gente também vai para a rua tomar uma cerveja de vez em quando. Os tempos estão pedindo...   Chicago Fire: Olha, norte-americanos têm algumas taras. Quem assiste a séries de TV já sabe – histórias que envolvam bombeiros, policiais, médicos e advogados são garantia praticamente certa de audiência elevada. Que o diga, por exemplo, a série “Lei & Ordem”, que teve 20 temporadas e gerou uns filhotinhos, dentre eles o excelente “Unidade de Vítimas Especiais (SVU)”, que já está em sua 18ª temporada. SVU está no ar no canal Universal (130 da Net), o mesmo da minha dica: “Chicago Fire”, como o nome já sugere, retrata o dia a dia de uma unidade do Corpo de Bombeiros de Chicago. É um mais do mesmo mas não tão do mesmo assim: as histórias se alternam entre o simples e o instigante e sempre há tramas mais longas que se desenvolvem em meio ao apagar de incêndios da rotina do grupo. O elenco é liderado por Jesse Spencer (que fez o médico bonitinho da equipe de “House”), que interpreta o bombeiro boa praça Matthew Casey. A série, que está na quinta temporada, deu origem…