quinta-feira, 21 de setembro de 2017
Convidado Especial

Imobilidade urbana, econômica e social no Brasil

Por Guilherme Vianna   Um debate corriqueiro em rodas de discussão é o tradeoff  entre crescimento econômico e igualdade social (entende-se que, ao se optar por elevar a produção de recursos, necessariamente sua distribuição será menos igualitária, e vice-versa). Esse pensamento possui uma aparente contradição, pois vivemos em um sistema socioeconômico baseado em trocas, que só ocorrem quando os dois lados a aceitam – assim, crescimento e distribuição deveriam andar juntos. Entretanto, essa contradição passa a desaparecer no momento em que quem pode utiliza seu maior poder de barganha para obter trocas mais favoráveis; e nos casos em que trocas bilaterais atingem terceiros. Não costumo omitir minha opinião, mas como não pretendo perder amizades nem ser xingado hoje, vou sutilmente caminhar com o assunto em outra direção. Podemos ilustrar como decisões individuais podem afetar outros através de dois exemplos: 1) quando uma pessoa decide usar carro ao invés de transporte público; e 2) quando um indivíduo decide não aceitar uma proposta para abrir mão de sua residência em um local onde há o interesse de construir uma via para circulação de veículos motorizados – um caso de desapropriação. É evidente que a decisão do que fazer nos exemplos acima expostos é (ou pelo menos em nosso modelo social deve ser) totalmente individual. Entretanto, terceiros sempre podem agir para que uma troca em que não estão diretamente envolvidos ocorra em seu favor. Vamos, então, entender os efeitos da mobilidade urbana na vida das pessoas, para voltar aos exemplos citados com estilo no final do texto. Os deslocamentos possuem quatro efeitos diretos na vida das pessoas: o tempo perdido (que pode afetar ou até impedir a realização de diversas atividades do dia-a-dia), a distância percorrida (que pode aumentar para tentar reduzir o tempo de uma viagem), o conforto (ninguém gosta de ônibus…

Brincar aprendendo ou aprender brincando?

Por Elisabete da Cruz*   Tudo na infância nos remete ao lúdico. Cantigas, personagens, cirandas, jogos, brincadeiras e uma infinidade de sensações inesquecíveis. É nela, na infância, que aprendemos as coisas mais importantes das nossas vidas. Mas só descobrimos isso tarde demais! A correria da vida moderna nos consome de compromissos e a infância passa pelos nossos olhos sem percebermos. Guardamos fotos, vídeos, histórias e sensações, e dela, extraímos o nosso melhor. Brincamos sozinhos e com o outro. Compartilhamos o lanche, o lápis e o brinquedo. Perdoamos e somos perdoados. Temos os amigos mais sinceros e com eles vivemos inúmeras aventuras. Não precisamos de nada mais que a nossa imaginação para construirmos castelos encantados, carros e monstros voadores. Inventamos, experimentamos e desenvolvemos habilidades não apenas motoras, mas emocionais. Representamos nosso presente e projetamos nosso futuro. Sonhamos em sermos astronautas, artistas, professores ou protetores dos animais; simples assim,  sem nos preocuparmos com uma profissão. Queremos apenas aproveitar cada minuto, até a completa exaustão do prazer mais puro que existe. Neste brincar descomprometido, carregamos  experiências para toda a nossa vida. Aprendemos por meio das brincadeiras não apenas as regras  mas como vamos conduzir nossas vidas em meio a inúmeras situações problemas. O aprendizado de forma integral precisa acontecer espontaneamente. Não necessita de tecnologia de última geração ou estruturas arquitetônicas faraônicas. Necessita de seres humanos mais preparados para esta nova geração. Se queremos adultos saudáveis e equilibrados,  deixemos nossas crianças brincarem mais, sem nunca nos esquecermos de nossa criança interior. Divirtam-se!!!   *Elisabete da Cruz é educadora, autora, empresária e produtora executiva na área de projetos culturais, educativos e de entretenimento, envolvendo públicos de todas as idades.

A lógica da Reforma Trabalhista na visão de um empresário

Por Fábio Caiado*   Eu vejo esta temida Reforma Trabalhista do Governo Temer da mesma forma que vi aquele golzinho de honra contra a Alemanha nos humilhantes 1x7, a maior tragédia da recente história brasileira. Aquele golzinho me deu um fiapo de esperança, como se a seleção naquele momento dissesse “ainda estamos aqui”. A Reforma Trabalhista surge em meio à maior crise política do país, e isso é interessante na cultura brasileira, por que esperar tudo dar tanto errado para depois tentar fazer alguma coisa certo? Às vezes fico me perguntando isso, mas enfim, a tal Reforma é boa por um único principal motivo: é o primeiro passo na quebra de um tabu que o país precisa superar. Como em toda quebra de tabus, uma nova realidade se apresenta, em grande parte diferente do que se imaginou inicialmente. Vamos à lógica deste processo e como eu penso que as coisas irão caminhar. A situação do Trabalho hoje no Brasil é péssima, vivemos um verdadeiro conflito entre o Capital e o Trabalho. O capitalista vê com receio qualquer investimento no Brasil que envolva contratações de pessoas, o terreno é altamente traiçoeiro, escorregadio, mesmo fazendo tudo certo há chances diversas de ações trabalhistas inimagináveis. A legislação é extremamente frágil e as pessoas muito criativas, e como há chance de êxito, os empregados se aventuram na esfera judicial, motivados por advogados de todos os tipos, em busca de um ganhozinho a mais qualquer. Nesta briga perde a empresa e perde também o empregado, só quem ganha são os advogados. O empresário no ato de dirigir uma empresa deve calcular bem os seus custos e riscos envolvidos na operação. Ele pode fazer isso mal em países como os EUA e ainda sobreviver. No Brasil, se ele não for EXCELENTE nisso não durará 1 ano…

As partes mimosas da natureza

Por Sonia Hirsch*   Tudo na mulher é poesia e samba-canção. Os olhos são o espelho da alma, as mãos herdamos das fadas, o sorriso transporta ao paraíso, a voz é de anjo, a pele de rosas, o corpo de sereia, tudo com infinito poder de beleza e sedução. Mas na hora de falar sobre aquelas pequenas partes tão sensíveis e delicadas não há uma linguagem poética, gentil ou sedutora que traduza o apreço que se tem por elas. A escolha é entre os termos clássicos, tipo vulva e vagina, que soam feios e irreais, os nomes vulgares, aprendidos com pudor e excitação nos grafitos de banheiro, e os inocentes apelidos maternais como xana, xota, xoxota, bimbinha, bobó, pixu, pipi, xibiu, pixirica, xereca, prexeca, perereca, crica, periquita, pombinha, passarinha, bacurinha, partes, países baixos, zona sul… Acaba-se tascando um “genitália feminina”, que dá à coisa um ar distanciado. Pois a distância acabou-se, já que é delas que vamos falar: das partes mimosas, que de certo modo governam nossa vida como fontes de prazer, saúde, reprodução, sexualidade – ou vergonha, culpa, repressão, doenças. A deliciosa “rosa louca” insinuada pela música de Tom Jobim é mesmo uma sucessão de relevos e reentrâncias. Primeiro vem aquele casaco de pelos, os pentelhos, protegendo o monte-de-vênus, ou púbis, uma parte geralmente gordinha e macia. A qual de repente racha, formando os chamados grandes lábios, que também são macios e gordos. Bem no comecinho da rachadura, mas já na parte interna, fica o mais sensível dos pontos sensíveis da mulher: a cabecinha do clitóris, o tal do grelo, pinguelo, tamatiá, um órgão sexual discretíssimo mas muito fácil de excitar. Junto a essa cabecinha nascem dois babadinhos, um de cada lado, chamados pequenos lábios, que variam muito de tamanho, forma e simetria e se transfiguram durante a excitação…

Dia Mundial do Rock: Cinco discos de BRock para quem não quer Mais do Mesmo

Por Lucas Vieira*   O motivo de 13 de julho ser o Dia Mundial do Rock remete ao festival Live Aid, que ocorreu nesse mesmo dia no ano de 1985. O evento teve como objetivo arrecadar fundos para o combate à fome na Etiópia e ocorreu nas cidades de Londres e Filadélfia. Durante sua apresentação no evento, o baterista e cantor Phill Collins disse ao microfone que desejava que aquela data se tornasse um marco, um dia destinado à celebração do estilo musical que abalou a “moral e os bons costumes” com seu som dançante e seu jeito rebelde nos anos 1950. O Live Aid contou com shows de grupos como The Who, Black Sabbath, Led Zeppelin, Dire Straits, Madonna, Queen, David Bowie, Mick Jagger e Paul McCartney. Em 1985, no Brasil, estreou o Rock In Rio, outro festival que é referência do estilo por aqui. Naquela década, tivemos dezenas de bandas que são favoritas de muitos roqueiros que têm os anos 1980 como melhor fase do rock nacional. Mas que tal deixar o Paralamas ou o Legião Urbana um pouco de lado hoje? Trouxemos uma listinha de cinco discos do rock nacional oitentista para quem quer dar aquela variada na playlist. Confiram!   Fausto Fawcett & Os Robôs Efêmeros (1987) - Fausto Fawcett & Os Robôs Efêmeros Imagine uma Copacabana cyberpunk. Foi o que fez o compositor Fausto Fawcett, cantando nesse disco quase como um radialista. Com crônicas de uma Zona Sul distópica, gravou entre outras o eterno hit “Kátia Flávia (A Godiva do Irajá)”. O LP é uma mistura de rock com disco, funk e rap, com letras trafegando entre prostitutas, assassinatos, gangues de “Neo-Madonnas” e as tecnologias então futurísticas. Declaradamente apaixonado por loiras, Fawcett foi um dos músicos que mais captou a alma carioca pós-Bossa Nova (“Rio…

Inteligência Artificial (IA) – Uma nova sociedade se desenha

Assim como os temas abordados anteriormente aqui no O Quinze (Transformação Digital, Cloud e Bigdata), Inteligência Artificial (IA), ou em Inglês, que é o mais conhecido, Artificial Intelligence (AI), também tem sido muito badalado ultimamente. Não por acaso, mas essas tecnologias estão intimamente interligadas, o que indica uma forte correlação entre elas. Assim como os outros conceitos, a AI (usarei a sigla em Inglês por questão de conformidade com o mais usual) também não surgiu agora, existem relatos da década de 1940 onde cientistas já trabalhavam no tema, na incansável busca por decifrar os mistérios do cérebro humano. E também, assim como os outros temas já mencionados, AI ganha importância na medida em que o desenvolvimento tecnológico passa a viabilizar as necessidades intrínsecas do assunto. O que é AI e quais são os principais conceitos? Podemos dizer de uma maneira simples que AI é a forma de fazer uma máquina “funcionar” como um humano, ou seja, executar atividades de maneira autônoma e inteligente. Inteligente no sentido de ser capaz de interpretar comandos de voz, identificar o contexto através da percepção visual e ainda tomar decisão para algo que não foi programado especificamente. Aliás, no AI a ideia não são algoritmos muito extensos, mas que sejam capazes de prover, com confiabilidade e velocidade, decisões corretas diante de situações não previstas. A máquina aprende e na próxima vez saberá como agir, mais rápida e assertivamente. Então, vamos tentar entender um pouco mais de AI e seus impactos na nossa vida. Fala-se na 4ª revolução tecnológica e que vai impactar empresas, empregos e a sua vida. Seria o fim da raça humana? Seremos dominados por robôs? Teremos nossos cérebros controlados tipo nos filmes Matrix e Avatar? Minha resposta é o clássico “It depends!”. Sim, depende de muitas variáveis. Teorias temos para todos os…