Edição 19

15/11/2017

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quarta-feira, 22 de novembro de 2017
Convidado Especial

Movimenta, Pernambuco!

Por Rita Fernandes Uma nova força sonora ecoa em Pernambuco. São sons que vêm da terra, das influências do Agreste, da Zona da Mata, das cantorias do dia a dia, carregados ao mesmo tempo de contemporaneidades temáticas e harmônicas. Se na década de 1990 o movimento da geração de Fred Zero Quatro e de Chico Science definiu uma nova cena musical com o manguebeat, hoje os jovens artistas pernambucanos desse caldeirão multicultural preferem falar em uma nova “movimentação”. São artistas de diferentes estilos, vindos de regiões como Caruaru, Arcoverde, Goiana, Carpina, Olinda e Recife, que se juntam em pequenos espaços musicais da cidade, como Casa do Cachorro Preto e Creperia, e que se articulam principalmente nas casas uns dos outros. Foi por essa rede que a tal “movimentação” acabou ganhando forma e força, especialmente na sala da casa de Juliano Holanda, que abriga a maior parte dos encontros musicais. [caption id="attachment_3426" align="alignleft" width="300"] A cantora Isadora Melo. Foto: Rodrigo Ramos[/caption] “Pernambuco está borbulhando de artistas novos, com um talento absurdo”, diz o produtor do Palco Sunset do Rock in Rio, Zé Ricardo, responsável por levar Almério, Spok e Banda de Pífano Zé do Estado na última edição do megaevento de música. Mas a lista é longa, com nomes como Isadora Melo, Thiago Martins, Isabela Moraes, Marcello Rangel, Vinicius Barros, Ylana Queiroga, Thulio Oliveira, Juvenil Silva, Junior Black, Igor de Carvalho, Flaira Ferro, Aninha Martins, Gabi da Pele Preta, Barro, Vertinho Moura. O resultado dessa interseção de micro regionalidades é uma vitalidade criativa marcada especialmente por uma safra de trabalhos que têm privilegiado a palavra, a poética e o verso. “É como parar para vestir as canções, dar atenção às letras”, diz Isadora Melo. “O que marca a diferença dessa nova geração é que está acontecendo uma troca intensa, onde um…

Almanaque do banheiro: Alô, herpes? Tchau tchau!

Só quem tem herpes sabe o inferninho que é. Tenho de vez em quando e quase sempre consigo localizar a causa. A penúltima foi um vinho que caiu mal no fim de um dia de viagem, o corpo não deu conta. Sorte que estava na casa da minha querida amiga Susana Ayres, terapeuta de múltiplos talentos, que quando soube me deu a dica perfeita: banhar o local com a fumaça da moxa, ou seja, acender o bastão de moxa e deixar a fumaça inundar a região afetada. Moxa é a folha da artemísia pilada até virar uma lãzinha. Pode vir solta ou prensada em forma de pequenos cones ou bastões. O bastão é bem fácil de usar. Basta descascar 1cm da embalagem externa, de papel grosso, atear fogo e aproximá-la delicadamente ao local estratégico, tomando cuidado para não queimar a pele. O nome do processo é moxabustão. Mas vou tratar calor com calor?, me espantei. Em medicina tradicional chinesa geralmente se trata o quente com o neutro ou o fresco, e herpes é um sintoma de calor e umidade. Nesse caso sim, respondeu ela, explicando que era para usar só a fumaça, sem aproximar a brasa. Depois a Denise Moraes, minha querida acupunturista de Itaipava, disse que também para hemorroidas esse banho de fumaça de moxa é um sucesso. Pois foi! Tratei, e na manhã seguinte não tinha mais nada. Até esperei a noite para confirmar, porque às vezes o herpes quer sair de qualquer jeito – você passa algo, ele desaparece dali mas surge em outro lado. Pois este desapareceu de fato. Contei o caso para minha querida médica homeopata, a Vanize Eyer, que também é rápida no gatilho, e ela já foi me dando outra receita: um creminho com florais – Spinifex, Linum, Fringed Violet e Crab Apple.…

Imobilidade urbana, econômica e social no Brasil

Por Guilherme Vianna   Um debate corriqueiro em rodas de discussão é o tradeoff  entre crescimento econômico e igualdade social (entende-se que, ao se optar por elevar a produção de recursos, necessariamente sua distribuição será menos igualitária, e vice-versa). Esse pensamento possui uma aparente contradição, pois vivemos em um sistema socioeconômico baseado em trocas, que só ocorrem quando os dois lados a aceitam – assim, crescimento e distribuição deveriam andar juntos. Entretanto, essa contradição passa a desaparecer no momento em que quem pode utiliza seu maior poder de barganha para obter trocas mais favoráveis; e nos casos em que trocas bilaterais atingem terceiros. Não costumo omitir minha opinião, mas como não pretendo perder amizades nem ser xingado hoje, vou sutilmente caminhar com o assunto em outra direção. Podemos ilustrar como decisões individuais podem afetar outros através de dois exemplos: 1) quando uma pessoa decide usar carro ao invés de transporte público; e 2) quando um indivíduo decide não aceitar uma proposta para abrir mão de sua residência em um local onde há o interesse de construir uma via para circulação de veículos motorizados – um caso de desapropriação. É evidente que a decisão do que fazer nos exemplos acima expostos é (ou pelo menos em nosso modelo social deve ser) totalmente individual. Entretanto, terceiros sempre podem agir para que uma troca em que não estão diretamente envolvidos ocorra em seu favor. Vamos, então, entender os efeitos da mobilidade urbana na vida das pessoas, para voltar aos exemplos citados com estilo no final do texto. Os deslocamentos possuem quatro efeitos diretos na vida das pessoas: o tempo perdido (que pode afetar ou até impedir a realização de diversas atividades do dia-a-dia), a distância percorrida (que pode aumentar para tentar reduzir o tempo de uma viagem), o conforto (ninguém gosta de ônibus…

Brincar aprendendo ou aprender brincando?

Por Elisabete da Cruz*   Tudo na infância nos remete ao lúdico. Cantigas, personagens, cirandas, jogos, brincadeiras e uma infinidade de sensações inesquecíveis. É nela, na infância, que aprendemos as coisas mais importantes das nossas vidas. Mas só descobrimos isso tarde demais! A correria da vida moderna nos consome de compromissos e a infância passa pelos nossos olhos sem percebermos. Guardamos fotos, vídeos, histórias e sensações, e dela, extraímos o nosso melhor. Brincamos sozinhos e com o outro. Compartilhamos o lanche, o lápis e o brinquedo. Perdoamos e somos perdoados. Temos os amigos mais sinceros e com eles vivemos inúmeras aventuras. Não precisamos de nada mais que a nossa imaginação para construirmos castelos encantados, carros e monstros voadores. Inventamos, experimentamos e desenvolvemos habilidades não apenas motoras, mas emocionais. Representamos nosso presente e projetamos nosso futuro. Sonhamos em sermos astronautas, artistas, professores ou protetores dos animais; simples assim,  sem nos preocuparmos com uma profissão. Queremos apenas aproveitar cada minuto, até a completa exaustão do prazer mais puro que existe. Neste brincar descomprometido, carregamos  experiências para toda a nossa vida. Aprendemos por meio das brincadeiras não apenas as regras  mas como vamos conduzir nossas vidas em meio a inúmeras situações problemas. O aprendizado de forma integral precisa acontecer espontaneamente. Não necessita de tecnologia de última geração ou estruturas arquitetônicas faraônicas. Necessita de seres humanos mais preparados para esta nova geração. Se queremos adultos saudáveis e equilibrados,  deixemos nossas crianças brincarem mais, sem nunca nos esquecermos de nossa criança interior. Divirtam-se!!!   *Elisabete da Cruz é educadora, autora, empresária e produtora executiva na área de projetos culturais, educativos e de entretenimento, envolvendo públicos de todas as idades.

A lógica da Reforma Trabalhista na visão de um empresário

Por Fábio Caiado*   Eu vejo esta temida Reforma Trabalhista do Governo Temer da mesma forma que vi aquele golzinho de honra contra a Alemanha nos humilhantes 1x7, a maior tragédia da recente história brasileira. Aquele golzinho me deu um fiapo de esperança, como se a seleção naquele momento dissesse “ainda estamos aqui”. A Reforma Trabalhista surge em meio à maior crise política do país, e isso é interessante na cultura brasileira, por que esperar tudo dar tanto errado para depois tentar fazer alguma coisa certo? Às vezes fico me perguntando isso, mas enfim, a tal Reforma é boa por um único principal motivo: é o primeiro passo na quebra de um tabu que o país precisa superar. Como em toda quebra de tabus, uma nova realidade se apresenta, em grande parte diferente do que se imaginou inicialmente. Vamos à lógica deste processo e como eu penso que as coisas irão caminhar. A situação do Trabalho hoje no Brasil é péssima, vivemos um verdadeiro conflito entre o Capital e o Trabalho. O capitalista vê com receio qualquer investimento no Brasil que envolva contratações de pessoas, o terreno é altamente traiçoeiro, escorregadio, mesmo fazendo tudo certo há chances diversas de ações trabalhistas inimagináveis. A legislação é extremamente frágil e as pessoas muito criativas, e como há chance de êxito, os empregados se aventuram na esfera judicial, motivados por advogados de todos os tipos, em busca de um ganhozinho a mais qualquer. Nesta briga perde a empresa e perde também o empregado, só quem ganha são os advogados. O empresário no ato de dirigir uma empresa deve calcular bem os seus custos e riscos envolvidos na operação. Ele pode fazer isso mal em países como os EUA e ainda sobreviver. No Brasil, se ele não for EXCELENTE nisso não durará 1 ano…

As partes mimosas da natureza

Por Sonia Hirsch*   Tudo na mulher é poesia e samba-canção. Os olhos são o espelho da alma, as mãos herdamos das fadas, o sorriso transporta ao paraíso, a voz é de anjo, a pele de rosas, o corpo de sereia, tudo com infinito poder de beleza e sedução. Mas na hora de falar sobre aquelas pequenas partes tão sensíveis e delicadas não há uma linguagem poética, gentil ou sedutora que traduza o apreço que se tem por elas. A escolha é entre os termos clássicos, tipo vulva e vagina, que soam feios e irreais, os nomes vulgares, aprendidos com pudor e excitação nos grafitos de banheiro, e os inocentes apelidos maternais como xana, xota, xoxota, bimbinha, bobó, pixu, pipi, xibiu, pixirica, xereca, prexeca, perereca, crica, periquita, pombinha, passarinha, bacurinha, partes, países baixos, zona sul… Acaba-se tascando um “genitália feminina”, que dá à coisa um ar distanciado. Pois a distância acabou-se, já que é delas que vamos falar: das partes mimosas, que de certo modo governam nossa vida como fontes de prazer, saúde, reprodução, sexualidade – ou vergonha, culpa, repressão, doenças. A deliciosa “rosa louca” insinuada pela música de Tom Jobim é mesmo uma sucessão de relevos e reentrâncias. Primeiro vem aquele casaco de pelos, os pentelhos, protegendo o monte-de-vênus, ou púbis, uma parte geralmente gordinha e macia. A qual de repente racha, formando os chamados grandes lábios, que também são macios e gordos. Bem no comecinho da rachadura, mas já na parte interna, fica o mais sensível dos pontos sensíveis da mulher: a cabecinha do clitóris, o tal do grelo, pinguelo, tamatiá, um órgão sexual discretíssimo mas muito fácil de excitar. Junto a essa cabecinha nascem dois babadinhos, um de cada lado, chamados pequenos lábios, que variam muito de tamanho, forma e simetria e se transfiguram durante a excitação…