Edição 30

01/06/2018

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domingo, 19 de agosto de 2018
Convidado Especial

MIMO Festival Amarante anuncia programação em Portugal

Por Rita Fernandes* De 20 a 22 de julho, a cidade de Amarante será palco da terceira edição internacional do MIMO Festival. O evento multicultural, que nasceu no Brasil há 15 anos, anunciou recentemente sua programação em Portugal. Serão 53 atividades gratuitas, entre música, cinema, programa educativo e infantil, fórum de ideias, roteiro cultural, chuva de poesia e uma exposição inédita de Amadeo de Souza-Cardoso. Durante três dias, Amarante vai receber artistas de 16 nacionalidades. Será uma oportunidade única para conhecer nomes relevantes que se apresentam pela primeira vez em Portugal, como é o caso de Matthew Whitaker Trio (EUA), do supergrupo Hudson com Jack DeJohnette, John Scofield, John Medeski e Scott Colley (EUA), GoGo Penguin (Inglaterra), Shai Maestro Trio (Israel), além de três artistas brasileiros: Baiana System, Almério e Moacyr Luz. Mas também para rever grandes artistas e grupos como Goran Bregovic Wedding and Funeral Band (Sérvia), Otto (Brasil), Orquestra Chinesa Cheong Hong de Macau (China), Timbila Muzimba (Moçambique), Pablo Lapidusas International Trio (Argentina/Brasil/Cuba), Dona Onete (Brasil), Noura Mint Seymali (Mauritânia), Rui Veloso, Dead Combo, Bruno Pernadas e Marta Pereira da Costa (Portugal). Desde a sua primeira edição em Olinda, há 15 anos, o MIMO Festival tem como proposta apresentar novos artistas, além de homenagear nomes consagrados. Essa união possibilita a integração do público com representantes de diferentes culturas e gêneros musicais, num festival que tem como principal marca a diversidade artística. No Brasil, o MIMO Festival 2018, que é apresentado pelo Ministério da Cultura e pelo Bradesco, vai acontecer em quatro cidades: Paraty, de 28 a 30 de setembro, Rio de Janeiro, de 15 a 17 de novembro, São Paulo, 19 e 20 de novembro, e Olinda, de 23 a 25 de novembro. A programação dos eventos será divulgada a partir de agosto. [caption id="attachment_3807" align="aligncenter" width="1000"] Baiana System. Foto:…

Reflexão sobre o papel do educador

Por Elisabete da Cruz*   Ainda estamos engatinhando para o verdadeiro sentido da palavra educação Aprendemos a falar e aprendemos a silenciar. Aprendemos a multiplicar, mas também a dividir Aprendemos a sorrir e a chorar A se desculpar e a voltar a errar A se orgulhar e a ter orgulho! Aprendemos a descobrir todos os dias um modo de viver melhor. As datas são marcos importantes para refletirmos, para aprendermos a silenciar nossas mentes sobre o verdadeiro sentido da vida, do nosso papel na sociedade, de alguma injustiça ou algo que possa levar a conscientização para o maior número de pessoas! E o aprender está em tudo que faz sentido! Ele nos conecta, nos une, nos faz crescer! A educação é isso, é esta certeza inconstante e ao mesmo tempo pulsante. Ainda estamos aprisionados em paredes, lousas, giz e papel! Ainda temos pessoas infelizes ensinando o outro a receita da felicidade.  Ainda estamos engatinhando para o verdadeiro sentido da palavra educação! Que este dia seja uma pausa para enxergarmos nosso papel de educador! Educador pai, educador avô, educador porteiro, educador cantineiro... Afinal, educação se faz pelo exemplo, pelo processo de melhoria contínua, pelo amor! Parabéns para nós!   *Elisabete da Cruz é educadora, autora, empresária e produtora executiva na área de projetos culturais, educativos e de entretenimento, envolvendo públicos de todas as idades.

Facilitar convívio com a família é a melhor política contra a violência

Por Marcelo Biar* O Brasil avança na política errada do encarceramento em massa, andando de mãos dadas com a negação de direitos. Já somos a terceira nação com maior número de pessoas privadas de liberdade e, só no Rio de Janeiro, já temos mais de 60 mil presos. Cada um destes toca um núcleo familiar que tem um vazio na mesa do jantar. Agrava este quadro o fato dos presos não serem de origem social aleatória. Quase todos são de camada popular. Além disto, no Rio,  temos presídios em apenas oito dos 92 municípios do estado. Receber a visita de familiares é missão quase impossível para boa parte dos encarcerados, o que representa um problema mais grave do que muitos podem prever. A visita, além de ser um direito do apenado garantido pela constituição, se constitui como um fator de ressocialização. Quem conhece o universo penitenciário sabe que o dia de visita é sempre o mais tranquilo nas unidades prisionais. É a presença constante dos entes amados que pode “disputar” o futuro do preso. Muitas vezes sua reincidência ou não no universo criminoso é definida pelo papel que filhas, filhos, esposas, maridos, mães e pais, exercem sobre ele. Não podemos ignorar a família do preso que, a despeito de não ter cometido delito algum também sofre e necessita do contato com o ente preso. A pena é de mão dupla e o equilíbrio da família também passa por este contato. É importante, apesar do crime cometido, que um filho conviva com seu pai, mesmo cumprindo esta etapa. O sofrimento do isolamento é uma extensão descabida, de pena. É a punição que se estende aos que não cometeram crimes. Baseado nisso organizei o Projeto de Lei que prevê gratuidade de passagem para visitantes de presos, em seus dias de visita. Para…

Candidíase, a praga

Por Sônia Hirsch*   Comecei a pesquisar sobre candidíase ali por 1993, por causa de uma dor debaixo da costela direita que não me deixava {fazer excessos} em paz. Era tomar um vinho, um suco de laranja ou comer amendoins que lá vinha ela. E quando topei com as notícias desse fungo chamado Candida albicans fiquei muito impressionada. Descobri que tinha os sintomas desde a infância (regada a açúcar), sem falar nas inúmeras crises de candidíase vaginal (monília) da adolescência em diante. Em 1995 publiquei um capítulo sobre candidíase no meu livro Só para mulheres. Alguns anos depois, já instalada na vida online, recebia tantos emails a respeito do assunto que resolvi botar o capítulo no site. Triplicaram os emails. Continuei pesquisando e atualizando a informação online. Enquanto isso passei a me cuidar com a mesma orientação. Adotei as cápsulas de lactobacilos acidófilos, o óleo virgem de coco, a redução de carboidratos. Posso dizer que a candidíase está controlada, bem como a hipoglicemia que costuma vir junto, mas percebo muito claramente que ela apenas manifesta uma tendência do organismo para umidade e calor, como se diz em medicina tradicional chinesa, e tendências são para sempre. Descobri que a dorzinha embaixo da costela tinha a ver com amebas. Descobri também que o câncer está quase sempre ligado à presença de fungos, o que piora muito depois da rádio e da quimio, que criam condições ideais para eles; alguns autores defendem que o câncer seria a própria simbiose da célula humana com a do fungo. Sendo que os fungos sempre acompanham as infecções por vermes e protozoários.   *Sonia Hirsch é jornalista, escritora, editora e palestrante.

Febre amarela, malária, dengue? Inhame inhame!

Por Sônia Hirsch*   A saúde é simples, as doenças é que são complicadas. Por séculos e séculos as populações tropicais sobreviveram comendo apenas o que dava no local onde tinham suas aldeias. Nas regiões úmidas, ladeando as grotas onde grassavam mosquitos, sempre houve fartura de inhame – na Ásia, na África, na América do Sul. Fácil de colher, fácil de preparar e ainda por cima gostoso, o inhame se tornou um dos principais alimentos básicos desses povos. O que não se sabia é que, durante séculos e séculos, o pequeno e cabeludo inhame estava protegendo as gentes da malária, da dengue, da febre amarela. E eis que chegou a mandioca, aipim, também deliciosa e fácil. Que além do mais dava boa farinha, própria para guardar ou fazer pão, goma para a tapioca de cada dia e ainda bebidas alcoólicas como cauim, alué e tiquira, que ajudavam a esquecer e sonhar. O inhame ficou pra lá. As gentes começaram a morrer de malária, de dengue, de febre amarela. Isso foi muito bem observado na África, onde as roças de inhame foram substituídas por seringais. Comer inhame continua funcionando para evitar e tratar as doenças transmitidas por mosquitos. Há algo no inhame, talvez o altíssimo teor de zinco, que neutraliza no sangue o agente infeccioso transmitido pelo mosquito. Diz o povo que é seu visgo que tem poderes. Não se sabe ao certo. A pesquisa científica ainda não se interessou. Até pouco tempo atrás circulava nas farmácias um tônico centenário à base de inhame e salsaparrilha, o Elixir de Inhame Goulart, usado até como coadjuvante no tratamento de sífilis. A Anvisa não renovou a licença por falta de comprovação da eficácia. Nada corre mais perigo hoje em dia do que uma coisa barata com propriedades medicinais. (Não confundir com um tal…

As linhas da vida

Por Carolina Guimarães* Começo de ano é sempre momento de reflexão, fechamento de um ciclo para início de outro. Momento de sonhar e também de planejar para que as resoluções não terminem em frustrações. Hora de pensar nos caminhos a se traçar e quais linhas nos levarão aos nossos destinos. Minha linha por 5 anos teve local e nome: Linha 580. Ela foi a linha que resultou mais viável na vida que decidi ter: morar perto do trabalho. Tive muita sorte anteriormente de ter morado em países onde o transporte público é uma prioridade e a oferta é boa. Essa experiência supriu minha vontade de independência de locomoção que muitos assumem ao tirar a carta de motorista. Na busca por emprego, encontrei um trabalho no Rio. O que mais me assustava era a possibilidade de perder minha mobilidade na cidade, não desfrutar de espaços públicos e perder o contato com pessoas de vários lugares. Sabia que as coisas iam mudar, e a sensação de segurança era o que eu mais ia sentir falta. De certa forma consegui minimizar essas perdas. Não que essa seja uma realidade para todos, longe disso, mas fiz questão de buscar moradia perto de transportes públicos de massa, era um fator tão importante quanto o apartamento mesmo. Claro que essa variável refletiu no custo do aluguel, mas também era um custo da minha felicidade. Triste pensar que bairros que oferecem mais serviços e um bom urbanismo são mais caros. Ainda hoje apenas 47% e 25% da população no Rio de Janeiro e São Paulo, respectivamente, estão a 1 km de distância do trabalho de transporte de alta ou media capacidade.[1] Para uma pessoa que não dirige, morar perto do trabalho não é só prazeroso como essencial. Considerando que o transporte era um ingrediente tão importante na…